Receios sobre entrada da Grécia em incumprimento

Juros da dívida grega sobem até aos 73% nas obrigações a dois anos

Grécia anunciou ontem medidas para contornar desvio orçamental
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Grécia anunciou ontem medidas para contornar desvio orçamental Yiorgos Karahalis/Reuters

Os juros da dívida grega estão hoje a disparar nos prazos mais curtos. Nos mercados de dívida secundários, as taxas praticadas para a maturidade de dois anos já superam os 73%.

Apesar de o Governo grego ter ontem anunciado medidas para cobrir um desvio orçamental de dois mil milhões de euros, o custo do financiamento nestes mercados de dívida apenas está a aliviar na maturidade de referência (taxas de juros a dez anos).

Neste prazo, as taxas implícitas às transacções – que resultam de informações comunicadas ao mercado pelos investidores sobre o valor dos juros para a compra de Obrigações do Tesouro (OT) – estão nos 19,82%. Na sexta-feira, estavam ligeiramente acima, nos 20,116%.

No entanto, nas maturidades de cinco, três e dois anos, a trajectória para as OT gregas era a inversa. Para as obrigações a dois anos, por exemplo, registou-se uma subida superior a 15 pontos percentuais face ao valor registado pela Reuters para a sessão de sexta-feira. Segundo informação financeira desta agência de notícias, as taxas de juro a dois anos estão nos 73,988%, quando na última sessão estavam nos 58,335%.

A cinco anos, seguem nos 27,084% e a três anos nos 48,68%.

A revista alemã Der Spiegel avança hoje que o Governo de Berlim estará a preparar um plano B para a eventualidade de a Grécia entrar em incumprimento da sua dívida. Esta notícia veio de imediato agitar os mercados financeiros, contribuindo para que as bolsas europeias abrissem negativas e acentuassem as perdas ao longo da sessão. Tanto a Comissão Europeia como o executivo de Angela Merkel vieram desmentir estar em cima da mesa qualquer cenário de incumprimento, mas nem por isso os mercados dão sinais de menor agitação.

No caso das Obrigações do Tesouro portuguesas, registam-se subidas em todos os principais prazos, com excepção da maturidade a um ano, que estão a recuar.

No prazo de referência, a dez anos, mantinham-se no patamar dos 11% e a cinco anos no patamar dos 14%. A três anos, sobem para os 15,5% e a dois anos avançam para os 16,5%. Já a um ano, o recuo é de 8,11% para 7,35%.