Declarações do director-geral da AIEA

Fukushima não vai parar crescimento da energia nuclear

Esta foi a primeira visita de Amano ao interior da central de Fukushima
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Esta foi a primeira visita de Amano ao interior da central de Fukushima Tepco/Reuters

A produção de electricidade a partir do nuclear vai continuar a crescer no mundo, apesar do acidente na central de Fukushima, declarou o director da Agência da ONU para a Energia Atómica que ontem, pela primeira vez, visitou o complexo.

Yukiya Amano, de fato protector branco, viu ontem em primeira mão os estragos que o tsunami deixou em Fukushima Daiichi, a 11 de Março. “O poder destrutivo do tsunami e as explosões de hidrogénio foram terríveis”, avaliou o responsável, citado hoje pela agência japonesa Kyodo, no jornal “Japan Times”.

Ainda assim, “é certo que o número de reactores nucleares vai continuar a aumentar, mesmo que o ritmo não seja tão rápido como antes”, asseverou Amano, citado pela agência AFP. O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) falava depois de ter reunido com o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que defende uma eliminação progressiva das centrais nucleares no Japão, país onde o risco sísmico é muito elevado.

“Alguns países, como a Alemanha, reviram a sua política em matéria de energia nuclear. Mas muitos outros pensam que precisam dos reactores nucleares, especialmente para lutar contra as emissões de gases com efeito de estufa e o aquecimento global”, argumentou Amano. “Por isso, é essencial garantir a segurança das instalações nucleares.”

Quatro dos seis reactores de Fukushima ficaram gravemente danificados pelo tsunami, no pior acidente nuclear desde Tchernobil, em 1986. De momento, 36 dos 54 reactores do Japão estão parados em manutenção ou por precaução.

Japão vai comprar e queimar carne contaminada com radioactividade

As fugas de radioactividade da central de Fukushima contaminaram a palha dada aos animais nas explorações de gado da região. Nas últimas semanas, o país foi abalado pelas notícias de que carne contaminada com césio radioactivo foi vendida em dezenas de províncias. Hoje, o Governo japonês anunciou que vai comprar e queimar a carne com níveis de césio acima dos limites fixados – 500 becquerels por quilo - que já entrou na cadeia de distribuição, noticia a estação de televisão NHK.

Segundo esta televisão, cerca de 2900 cabeças de gado que terão sido alimentadas com palha contaminada foram distribuídas por 46 das 47 províncias, excluindo Okinawa.

O ministro da Agricultura, Michihiko Kano, garantiu que só a carne com elevados padrões de segurança alimentar chegará ao mercado.

A factura desta medida, que inclui indemnizações aos produtores e que poderá chegar aos 17 milhões de euros, será paga pela Tepco (Tokio Electric Power).