Impasse nas negociações sobre aumento da dívida

Moody’s ameaça cortar rating máximo aos Estados Unidos

Obama diz estarem em causa pagamentos das reformas se não houver acordo sobre a dívida
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Obama diz estarem em causa pagamentos das reformas se não houver acordo sobre a dívida Kevin Lamarque/Reuters

Os receios de que democratas e republicanos não consigam um acordo para aumentar o limite legal de endividamento dos Estados Unidos levou hoje a agência Moody’s a colocar o rating norte-americano sob vigilância negativa. Na hipótese de uma revisão, ressalva, o corte teria efeitos mínimos ou nulos nos investidores.

O aviso não deixa margens para dúvidas: quanto mais se arrastam as negociações, mais crescem as probabilidades de os EUA perderem a nota máxima com que estão avaliados.

A notação de risco da dívida norte-americana é a mais elevada de todas, mas o impasse das negociações entre a Casa Branca e a oposição – apesar das intensas conversações – ameaça os Estados Unidos de perderem o nível AAA, o famoso “triple A”.

A agência já tinha dado a entender no início do último mês que poderia cortar o rating dos EUA caso em meados de Julho não houvesse um acordo para o Governo aumentar o tecto legal do endividamento, que chegou ao limite a 16 de Maio e que tem obrigado Washington a socorrer-se de medidas extraordinárias.

A Moody’s diz que existe um “pequeno risco” – que, sublinha, está a aumentar – de ocorrer um “incumprimento de curta duração”. A administração Obama deu 2 de Agosto como a data limite para fechar um acordo sobre a dívida, já que, diz, a partir dessa data não poderá recorrer a mais medidas extraordinárias para honrar os compromissos financeiros.

Apesar disso, a revisão em baixa nunca seria superior a três níveis – os analistas ponderariam entre baixar a nota para Aa1, Aa2 ou Aa3 – “porque este tipo de incumprimento deveria ser de curto prazo e a perda prevista para os detentores de Obrigações do Tesouro seria mínima ou nula”.

O presidente Barack Obama ainda ontem colocou mais pressão sobre os ombros do líder republicano do Senado, Mitch McConnell, dizendo que não dava garantias de os pagamentos das reformas serem feitos a 3 de Agosto se a questão não se resolver até à véspera.

O braço-de-ferro mantém-se. O porta-voz da Câmara dos Representantes, John Boehner, onde os republicanos têm maioria, reforçou que não há garantias para um acordo.

O aviso da Moody's é apenas o culminar de uma ameaça das agências de rating que nao é, porém, de agora. A antever difíceis consensos entre a Casa Branca e o Partido Republicano quanto às políticas orçamentais, a agência Standard and Poor’s já a 18 de Abril lançou a hipótese de deixar cair a avaliação do patamar máximo da dívida norte-americana, o que, na altura, gerou um coro de protestos por parte dos responsáveis políticos norte-americanos.

Notícia actualizada às 23h09