Crise nuclear

Crianças de Fukushima vão pôr na mochila aparelhos para medir radioactividade

Vão receber os aparelhos crianças a partir dos quatro anos de idade
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Vão receber os aparelhos crianças a partir dos quatro anos de idade Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

Cerca de 34 mil crianças de Fukushima, cidade do Norte do Japão próxima da central nuclear danificada, vão passar a levar na mochila aparelhos para medir a radioactividade, foi ontem revelado.

Todas as crianças dos quatro aos 15 anos vão receber, em Setembro, estes aparelhos para medir a sua exposição à radioactividade, na sequência da crise nuclear desencadeada a 11 de Março. Durante três meses vão andar com eles para todo o lado.

Além disso, os aparelhos também serão entregues aos pais de crianças com menos de três anos de idade, se os pedirem.

Segundo a agência de notícias japonesa Kyodo, o município de Fukushima vai recolher dados daqueles aparelhos uma vez por mês e analisá-los em cooperação com instituições de saúde.

Uma iniciativa semelhante foi adoptada pelas cidades de Date e Kawamata, também na província de Fukushima.

“Acreditamos que a distribuição destes aparelhos vai contribuir para tranquilizar as famílias se as medidas confirmarem que a saúde das crianças não está ameaçada”, comentou à agência AFP um responsável do município.

Desde o começo da crise nuclear, os pais de Fukushima – capital da província com o mesmo nome, situada fora da zona de exclusão de 20 quilómetros em redor da central - têm levado as suas preocupações ao Governo de Tóquio, receando que as fugas de radioactividade possam aumentar as possibilidades de os seus filhos desenvolverem leucemia ou outros tipos de cancro. A 27 de Março, o Ministério da Educação respondeu dizendo que iria cumprir o limite de exposição à radioactividade dos alunos de 1 millisievert, ou menos, por ano, nos espaços escolares. Segundo a agência Kyodo, muitas escolas na província decidiram agir por si e proibiram os alunos de usar os pátios exteriores ou decidiram remover solo contaminado.

Na semana passada, a organização ecologista Greenpeace apelou ao Governo nipónico para ordenar a retirada de crianças e grávidas da cidade de Fukushima.

Tepco vai “tapar” central nuclear

Entretanto, continuam os trabalhos para tentar estabilizar a central de Fukushima 1. Ontem, a Tepco, empresa proprietária do complexo, revelou como pretende “tapar” os edifícios dos reactores.

As coberturas, com estrutura de aço, terão 42 metros de comprimento e 54 metros de altura e ficarão assentes em quatro pilares que serão construídos em redor do edifício do reactor.

De acordo com um comunicado da Tepco, “a cobertura pretende evitar a difusão de materiais radioactivos (libertados pelo reactor, vapor de água das piscinas de arrefecimento, detritos e poeiras tóxicas) e a entrada de água da chuva no interior dos edifícios dos reactores”. A Tepco garante que a estrutura “é segura contra sismos e ventos”.

A empresa prevê instalar estas coberturas nos edifícios dos reactores 1, 3 e 4 a 27 de Junho. Mas para evitar a exposição dos funcionários à radioactividade, as várias partes da estrutura, cada uma com dezenas de metros de diâmetro, serão montadas num armazém da Tepco em Iwaki. Depois serão transportadas por um ferry até à central nuclear, onde serão instaladas com a ajuda de gruas.

Apesar de tudo, a empresa explica que a instalação destas coberturas é uma “medida temporária de emergência, até que sejam iniciadas as medidas a médio prazo”.

Hoje, o Governo japonês revelou que mais de 124 mil pessoas foram desalojadas pelo sismo e tsunami de 11 de Março e pela crise nuclear de Fukushima, noticiou a estação de televisão japonesa NHK. A 2 de Junho, mais de 41 mil pessoas ainda viviam em centros de acolhimento e 32.500 viviam com familiares e amigos.