Rato-arbóreo de Santa Marta

Espécie de ratinho observada na Colômbia depois de 113 anos desaparecida

A espécie poderá ser classificada como "criticamente em perigo"
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A espécie poderá ser classificada como "criticamente em perigo" Foto: Lizzie Noble/ProAves

Há 113 anos que ninguém via um rato-arbóreo de Santa Marta. Na semana passada, este ratinho do tamanho de um porquinho-da-índia apareceu num eco-hotel na floresta da Colômbia e deixou que lhe tirassem as suas primeiras fotografias.

Às 21h30 de 4 de Maio, este roedor nocturno, da espécie Santamartamys rufodorsalis, apareceu na entrada do albergue da Reserva Natural El Dorado e foi observado durante quase duas horas por dois voluntários da organização não governamental ProAves, explica a Conservation International. A espécie mede 45 centímetros desde a cabeça até à ponta da cauda e pesa cerca de 460 gramas.

O animal foi redescoberto por Lizzie Noble e Simon McKeown, voluntários que estão naquela reserva, criada em 2005, a estudar anfíbios em perigo de extinção.

“Simplesmente aproximou-se do local onde estávamos sentados e parecia totalmente impassível perante toda a emoção que estava a causar”, contou Lizzie Noble, de Godalming, Inglaterra. Pouco depois, dirigiu-se para a floresta e desapareceu.

“Estamos absolutamente encantados por ter redescoberto esta criatura maravilhosa depois de apenas um mês de trabalho voluntário com a ProAves. É evidente que a Reserva El Dorado ainda tem muito para descobrir”.

Lina Daza, directora-executiva da organização, salienta que “a redescoberta desta espécie é um exemplo da importância da criação de áreas protegidas, que possam garantir um espaço para a conservação da tão ameaçada biodiversidade colombiana”.

A espécie foi considerada extinta mas agora “é provável que o rato-arbóreo de Santa Marta passe a ser classificado como Em Perigo Crítico, de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)”, explica a Conservation International.

“A Reserva Natural El Dorado representa uma Arca de Noé, uma vez que protege as últimas populações de flora e fauna endémica e em perigo de extinção na Serra Nevada de Santa Marta. É um tesouro vivo”, comentou Paul Salaman, da World Land Trust-US, o cientista que confirmou a identidade da espécie.

O mais preocupante, de momento, é a grande quantidade de gatos que existem naquela região e que se alimentam de espécies endémicas e raras como este ratinho.