Investigadores da Universidade do Algarve

Encontrada na Ria Formosa alga que não era vista há mais de 50 anos

A equipa espera vir a apurar o comportamento desta espécie de alga na Ria Formosa
Foto
A equipa espera vir a apurar o comportamento desta espécie de alga na Ria Formosa Foto: Pedro Cunha/arquivo

Investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve encontraram na Ria Formosa uma espécie de alga que não era ali vista há mais de 50 anos, anunciou fonte da Sociedade Polis.

A descoberta de uma mancha daquelas algas verdes com a dimensão de quatro metros quadrados ocorreu no âmbito de trabalhos promovidos pela Sociedade Polis Litoral Ria Formosa no canal da Fuzeta, refere a entidade em comunicado.

O reaparecimento da alga Caluerpa prolifera, espécie com afinidade subtropical e cujo desenvolvimento depende muito da temperatura da água, pode estar relacionado com o aquecimento global, suspeitam os investigadores.

Contudo, a alga pode também ter estado sempre presente naquele ecossistema sem que alguém tenha reparado nela, acrescenta a mesma fonte do Polis, adiantando que a mancha descoberta vai agora ser monitorizada e protegida.

De acordo com a coordenadora dos trabalhos, Alexandra Cunha, a equipa foi surpreendida pela descoberta quando estava a monitorizar, em mergulho, as pradarias de Zostera marina na ria e um colega estranhou o tamanho de algumas folhas.

De regresso ao laboratório, a equipa constatou que a alga já tinha sido identificada na Ria Formosa em 1845 pelo austríaco Frederico Welwitsch, que emprestou o seu nome à planta “welwitschia”, apenas existente em África.

A Caulerpa prolifera é uma alga verde de origem mediterrânica que surge normalmente associada a uma erva marinha existente na Ria Formosa também chamada de ceba, lê-se no comunicado. A alga tem a particularidade de ser formada por células gigantes com vários núcleos a circular no seu citoplasma, ao contrário da maioria das algas, que têm células microscópicas e de apenas um núcleo.

Com a continuação dos trabalhos a equipa espera vir a apurar a actual distribuição desta espécie e o seu comportamento na Ria Formosa, conclui o comunicado.