Taxa a seis meses subiu mais de 70 por cento

Juros disparam em leilão de dívida pública de curto prazo

O Estado obteve o montante que pretendia
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O Estado obteve o montante que pretendia Sara Matos (arquivo)

Portugal conseguiu obter hoje emprestados os mil milhões de euros que pretendia na emissão de Bilhetes do Tesouro a seis meses e um ano desta manhã, mas com os juros a dispararem.

A um ano foram, colocados 455 milhões de euros, com uma taxa de juro média ponderada de 5,902 por cento, o que representa mais 36,2 por cento que os 4,331 por cento pagos na última emissão semelhante, a 16 de Março.

A seis meses, o Estado obteve (através do IGCP, que gere a dívida pública) 550 milhões de euros, a uma taxa média de 5,117 por cento, quase o dobro dos 2,984 por cento pagos no anterior leilão precedente com o mesmo prazo de vencimento, a 2 de Março, o que representa mais 71,5 por cento.

Mesmo assim, as taxas hoje pagas pelo Estado são bastante inferiores às que estão implícitas às transacções nos mercados secundários, hoje perto das 11h30 continuavam a subir nestes prazos, para 6,728 por cento a seis meses e 8,890 a um ano, segundo dados da agência Reuters.

A procura a um ano representou 2,6 vezes o montante colocado, face a 2,2 vezes antes, enquanto a seis meses representou 2,3 vezes a oferta (2,6 vezes na emissão anterior).

Num comentário ao leilão de hoje, o Ministério das Finanças disse que o Estado está a conseguir financiar-se e que está “em condições de assegurar os compromissos financeiros previstos”. No entanto, acrescentou que “as actuais taxas de juro permitem concluir que os danos causados pela rejeição do PEC são irreparáveis”, e que “a sinalização para fora do País da falta de disponibilidade para sacrifícios manifestada pela Oposição está, por isso, a impor já um sacrifício bem maior”.

“Portugal conseguiu emitir dívida mais uma vez, mas as taxas estão proibitivas. Pouco falta para o Estado português estar a pagar por dívida a um ano o que não queria pagar a dez anos (7%)”, disse por seu lado o gestor dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva, num comentário à emissão de hoje de manhã.

Numa alusão às notícias que hoje davam como certo que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social está a desfazer-se de investimentos para comprar dívida pública, e que seria um dos compradores nos leilões de hoje, Filipe Silva disse ainda: “Se não conhecesse, pelas notícias, a identidade de um importante comprador neste leilão, ficaria muito satisfeito por ainda conseguirmos ter procura.”

Notícia corrigida às 11h35; última actualização às 12h