Orçamento de Estado para 2011 e 2010

Pacote de austeridade: “drástico”, “duro” e “dramático”, dizem os jornais europeus

“Drástico”, “duro” e “dramático” são algumas das expressões usadas na imprensa europeia de hoje para classificar o pacote de medidas de austeridade anunciado ontem à noite pelo Governo.

O El País, de linha centro esquerda, sob o título “Portugal anuncia um drástico plano de ajustamento”, destaca a intenção do Governo em reduzir em cinco por cento os salários dos funcionários públicos que ganhem acima de 1500 euros e congelar as pensões. Escreve ainda que o objectivo é reduzir o défice em 2011 para 4,6 por cento do PIB, semelhante ao da Alemanha.

O El País afirma que o primeiro-ministro reconheceu que a “medida mais difícil de adoptar” foi a da redução dos salários da função pública, referindo que o próprio disse “ser a mesma decisão que o Governo espanhol adoptou”.

Para outro diário espanhol, o ABC, de influência monárquica, “Portugal aprovou outro “duro e exigente” ajustamento”. Destaca que “os bolsos dos cidadãos ver-se-ão novamente prejudicados poucos meses depois do primeiro pacote de medidas extraordinárias aprovado pelo executivo português”.

Com as novas medidas destinadas a baixar o défice orçamental, adianta, “o país vizinho segue os passos empreendidos por outros países da União Europeia, como Espanha, Irlanda e Grécia”.

“Portugal reforçou dramaticamente programa de austeridade”, destaca o diário alemão Frankfurter Allgemeine. Segundo este jornal as “drásticas medidas correctivas” do “país mais pobre da Europa Ocidental” constituem uma “surpresa”, destacando que o “maior aperto” para combater a crise orçamental incide sobre a Função Pública, com os cortes salariais, e sobre o IVA, com o aumento adicional para 23 por cento.

O diário francês Le Monde refere que a “hora de austeridade” em Portugal, citando as principais medidas do pacote, se deve à pressão acrescida dos mercados financeiros, que “duvidam da capacidade [do país] para reduzir o seu défice de 7,3 por cento do PIB em 2010 para 4,6 por cento em 2011”.

O Le Monde sublinha também que o presidente da Comissão Eurorpeia e antigo primeiro-ministro português, Durão Barroso, fez ontem uma advertência “invulgar” para Portugal, face ao impasse político em que o país se encontra, ao pedir que o Governo mantivesse os seus comprimissos orçamentais. “Portugal tem de dar prova da sua responsabilidade”.

Segundo o Le Monde, circulou ontem em Bruxelas rumores de que os ministros das Finanças da zona Euro se preparavam para pressionar Portugal durante uma reunião prevista para hoje com o objectivo de adoptar medidas “radicais que acalmassem os mercados”.