Sócios do BES em Angola são oficiais da Casa Militar e da Guarda Presidencial

Este general é uma das pessoas mais próximas do Presidente José Eduardo dos Santos.

De acordo com o relatório do jornalista e activista angolano Rafael Marques de Morais , intitulado Presidência da República: o epicentro de corrupção em Angola, a transferência formal da titularidade das acções da Portmill para os subordinados de Kopelipa ocorreu em Junho de 2009. Pouco tempo depois, a empresa ganhou a privatização de parte do capital da Movicel, operadora de telecomunicações. Antes desta estratégia, os accionistas directos da Portmill eram, além de Kopelipa, Manuel Vicente (presidente da Sonangol) e o general Dino (chefe das comunicações da Presidência da República).

O PÚBLICO pediu um comentário ao BESA, mas não obteve resposta. A entrada no capital do banco, uma operação avaliada em cerca de 254 milhões de euros, ocorreu no final do ano passado. O BES mantém 51,9 por cento, uma vez que já contava com outros parceiros angolanos, destacando-se o grupo Geni, ligado a Isabel dos Santos (filha do Presidente), com 20 por cento. Nas palavras de Rafael Marques, Kopelipa, o general Dino e Manuel Vicente "formam o triunvirato que hoje domina a economia política de Angola, sem distinção entre o público e o privado".

Ainda segundo a investigação, os três são os donos da Damer, accionista da Companhia de Bioenergia de Angola em parceria com a brasileira Odebrecht e a própria Sonangol. Outro negócio detido em conjunto é o da Nazaki Oil & Gás, empresa que faz parte de um consórcio formado pela Sonangol e pela norte-americana Cobalt para explorar dois blocos petrolíferos, num processo em que "não houve concurso público". De acordo com Rafael Marques, estas três personalidades angolanas reúnem-se também no grupo Medianova, dono da TV Zimbo, Rádio Mais, o jornal O País, Semanário Económico e a revista Exame Angola.