Congresso da "clarificação" da Nova Democracia começa hoje em Lisboa

Monteiro diz que PND "é o único partido da direita em Portugal"

Monteiro assume ter errado ao considerar que o posicionamento ideológico "era um problema menor"
Foto
Monteiro assume ter errado ao considerar que o posicionamento ideológico "era um problema menor" Tiago Petinga/Lusa (arquivo)

"Não existe direita em Portugal: o CDS-PP é um partido de centro-direita e o PSD não é, de todo, de direita." É por partir desta premissa que o líder do Partido Nova Democracia (PND), Manuel Monteiro, quer fazer do terceiro congresso, que hoje se inicia, no Hotel Altis, em Lisboa, o "momento da clarificação": afirmar o partido como "a verdadeira e única direita portuguesa, patriótica e soberana".

Mas terá de pensar também no seu reverso, já que um membro do conselho geral do PND pretende discutir a extinção do partido. Miguel Félix António considera que o que faz sentido é a criação de um bloco unitário de direita, que promova os consensos e a convergência partidária, com elementos do PND, do CDS, de "alguns sociais-democratas e muitos dos independentes que se encontram profundamente descontentes com a total ausência de direita em Portugal".

"A Nova Democracia é um partido de gente livre, as pessoas podem apresentar as propostas que quiserem", responde Monteiro ao PÚBLICO. "Mas o meu objectivo é rejeitar em absoluto esta proposta e aproveitar o congresso para clarificar a Nova Democracia como um partido da direita."

Monteiro assume o erro cometido no momento de criação do PND, "ao considerar que o posicionamento ideológico era um problema menor". Não é. Por isso decidiu ir agora ao baú da sua própria ideologia recuperar os valores que defendeu em 1992, quando se tornou presidente do CDS-PP. Admitindo que alguns dos cerca de mil militantes do partido se poderão afastar em sequência, acredita que a "clarificação" pode atrair outras pessoas.

Depois de, nas últimas legislativas, ter arrecadado cerca de 40 mil votos, considera que só depois das eleições gerais de 2009 faz sentido pensar na extinção do partido: "É preferível que um partido seja votado e afira nas urnas a concordância ou discordância com o seu programa do que não o ser."

Para já, é tempo de reposicionamento. "O PND deve ser o partido da direita portuguesa, uma direita patriótica e sobenarista, com uma postura de crítica profunda e directa ao modelo de União Europeia [UE]", afirma. Por isso, vai propor a saída de Portugal da política comum de pescas e agrícola. Não a saída da UE, mas o reposicionamento perante a mesma. E também não acha normal que as pessoas aceitem o iberismo com naturalidade. "A suposta direita portuguesa está calada sobre essa matéria, pelo que há aqui um espaço de afirmação da Nova Democracia", frisa.

Será que o PND quer ser um partido nacionalista puro, ao estilo dos congéneres europeus? Não, diz Monteiro, rejeitando qualquer "purismo" e afastando-se das "posturas racistas e xenófobas" em relação à imigração. "Não nos podemos esquecer de que Portugal é um país de emigrantes. Não posso defender para os estrangeiros em Portugal uma coisa diferente do que defendo para os portugueses no estrangeiro."

De fora do seu programa fica também toda uma agenda de costumes que passe por tomadas de posição em relação ao aborto, ao casamento entre homossexuais e outros temas fracturantes. "Isso cabe dentro da liberdade individual de cada um."

Sugerir correcção