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Há 20 anos que este concurso descobre o cinema feito nas escolas

O Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio celebra este ano a sua 20.ª edição. As inscrições estão abertas, até 15 de setembro, a todos os alunos do ensino secundário em Portugal.

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Cartaz da 20.ª edição do Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio Clube de Cinema 8 e Meio — Escola Secundária Eça de Queirós

Antes do grande ecrã e dos festivais de cinema, há sempre um primeiro filme. Às vezes nasce num quarto, num telemóvel emprestado ou num trabalho feito entre amigos depois das aulas. Há 20 anos que o Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio tenta encontrar precisamente esses filmes — e os jovens que os imaginam.

Criado pelo Clube de Cinema 8 e Meio, da Escola Secundária Eça de Queirós (ESEQ), na Póvoa de Varzim, o concurso regressa este ano para a sua vigésima edição, mantendo a visão que o distinguiu ao longo de duas décadas: dar destaque ao cinema feito por alunos do ensino secundário de todo o país.

“O concurso nasceu porque percebemos que havia muito talento nas escolas”, explica ao PÚBLICO na Escola Luís Nogueira, professor da ESEQ e um dos coordenadores da iniciativa. “Queríamos criar um espaço onde os alunos pudessem pensar os filmes de outra maneira e sentir que o seu trabalho era visto e valorizado.”

Nos seus primórdios, em 2006, o projeto começou por ser um concurso interno ligado ao clube de cinema da escola — um ano mais velho —, mas rapidamente ultrapassou os seus limites territoriais. A partir da terceira edição, conta Luís Nogueira, abriu-se a estudantes de todo o país e transformou-se no maior evento português dedicado ao cinema em contexto escolar.

“Os clubes nas escolas são importantes porque permitem aos alunos pensar para lá dos currículos”, defende Luís Nogueira. “E às vezes é nesses espaços que alguém descobre aquilo que realmente quer fazer.”

Hoje, o 8 e Meio aceita filmes realizados por qualquer aluno do ensino secundário, matriculado numa escola portuguesa. Cada participante pode concorrer com o número de filmes que desejar, individualmente ou em grupo, desde que os trabalhos não ultrapassem os oito minutos e meio de duração — referência assumida ao filme 8 ½, de Federico Fellini, obra que inspirou o nome e a identidade do concurso e do próprio clube de cinema da ESEQ, para além do spot promocional desta edição, em que os alunos recriaram a emblemática cena onde Claudia (Claudia Cardinale) estende um copo de água a Guido (Marcello Mastroianni).

Ao longo das vinte edições, passaram pelo concurso centenas de jovens realizadores, muitos deles atualmente ligados ao cinema e ao audiovisual. Alguns seguiram realização, outros trabalham em fotografia, escrita, montagem ou produção. Luís Nogueira admite que o concurso pode ter ajudado vários alunos a descobrir um caminho profissional. “Provavelmente houve alunos que perceberam que queriam seguir por ali”, afirma. “Às vezes, basta o reconhecimento ou a validação externa para alguém ganhar confiança no que faz.”

Apesar disso, o coordenador sublinha que o objetivo do concurso nunca foi apenas ser uma rampa de lançamento para futuros cineastas. Mais do que premiar o método, o 8 e Meio procura distinguir ideias, criatividade e a visão pessoal e única dos adolescentes. “O cinema não é apenas técnica”, defende. “Há uma parte emocional, uma mensagem, uma visão do mundo. E isso continua a aparecer muito claramente nos filmes dos jovens.”

Segundo Luís Nogueira, cada edição acaba por funcionar como um retrato informal da geração que participa. Sem tema obrigatório, os filmes refletem experiências muito diferentes: relações pessoais, isolamento, identidade, quotidiano ou memória. Durante os anos da pandemia de covid-19, por exemplo, o confinamento e a ausência de contacto social passaram, naturalmente, para o ecrã. “São histórias muito individuais”, explica. “É isso que torna cada edição tão imprevisível.”

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O concurso vai atribuir três prémios principais na Competição Nacional: o primeiro e o segundo, financiados pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, correspondem a 600 e 400 euros, respetivamente; o terceiro, patrocinado pela escola, tem um valor de 200 euros. Além destes, existe ainda o Prémio ESEQ, também no valor de 200 euros, destinado ao melhor filme realizado por um aluno deste estabelecimento de ensino.

Este prémio interno, apoiado pela Associação de Pais da ESEQ, não pode ser acumulado com os prémios principais — ou seja, caso um aluno da escola vença um dos prémios nacionais, deixa automaticamente de poder ganhar o prémio ESEQ. Os vencedores da Competição Nacional e do prémio ESEQ recebem ainda um cartão Free-Pass para o Curtas Vila do Conde — Festival Internacional de Cinema de 2027.

Na edição anterior, a Escola Artística de Soares dos Reis (Porto) ocupou os três lugares do palmarés: o destaque principal foi para Cosmogonias, de Matylda Carvalho, que conquistou o primeiro prémio. O segundo lugar foi atribuído a Elefante na sala, de Maria Lima, enquanto o terceiro prémio distinguiu Os Meus Sonhos Eram Rosa, de Maria Morte.

Os filmes serão avaliados por um júri externo composto por três personalidades ligadas ao cinema ou a áreas complementares, sem qualquer ligação às escolas participantes ou à organização. O júri poderá também atribuir menções honrosas a outros trabalhos destacados.

Para Luís Nogueira, essa independência é essencial para garantir “lisura” e credibilidade ao processo. “Queremos que qualquer aluno tenha a certeza de que o seu filme vai ser visto e avaliado nas melhores condições”, afirma.

A cerimónia de entrega de prémios decorrerá no início de 2027, no Cine-Teatro Garrett, numa sessão pública que transforma o cinema numa verdadeira celebração coletiva na Póvoa de Varzim. O evento inclui projeções de filmes, momentos performativos e outras atividades ligadas às artes. “O cinema dialoga com muitas coisas: música, pintura, performance”, explica o professor. “Nunca quisemos que o concurso fosse apenas sobre mostrar filmes.”

As inscrições decorrem até 15 de setembro. Os filmes, obrigatoriamente inéditos e produzidos a partir de 2025, podem ser enviados em formato digital para o endereço de correio eletrónico do concurso.