Portugueses no Sudão foram retirados do país por três rotas diferentes

Cônsul honorário de Portugal no Sudão, Suliman Abdelmagid, disse ao PÚBLICO que só um cidadão nacional optou por permanecer no país. “Não está em perigo” pois reside em Gadarife, a 400 km da capital.

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Rotas para o regresso dependeram da disponibilidade de transporte, da localização e momento de chegada ao local designado para a retirada Reuters/MOHAMED NURELDIN ABDALLAH

Os 21 portugueses retirados no domingo do Sudão, para fugir aos combates entre facções rivais das Forças Armadas sudanesas, saíram do país por três rotas diferentes, como explicou ao PÚBLICO o cônsul honorário de Portugal no Sudão, Suliman Abdelmagid. Como referiu nesta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, apenas uma cidadã portuguesa foi transportada no voo militar espanhol. Em simultâneo, o MNE italiano também informou que incluiu portugueses no respectivo voo.

Em entrevista ao PÚBLICO, o cônsul honorário de Portugal no Sudão, Suliman Abdelmagid, esclareceu que a operação de retirada de vários cidadãos europeus foi possível graças à disponibilização da base militar de Omdurmã, controlada pelo Exército sudanês e localizada a cerca de 20 quilómetros de Cartum. As dificuldades e riscos de viajar na capital do Sudão tornaram a travessia "perigosa".

Na última semana, três membros da Programa Alimentar Mundial morreram e outros dois ficaram gravemente feridos durante um tiroteio. E esta segunda-feira, o Exército sudanês anunciou que o adjunto do adido militar egípcio tinha sido morto a tiro pelo grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RFS na sigla em inglês), quando conduzia o carro em Cartum. Notícia desmentida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egipto, que não esclarece se houve ou não ataque.

De acordo com Suliman Abdelmagid, as rotas usadas para transportar os 21 portugueses retirados de Cartum foram definidas "com base na localização, disponibilidade para transporte e o momento em que chegaram ao local designado para a retirada".

Por isso, alguns portugueses voaram para a Europa após escala numa base militar do Djibuti. Outros, em alternativa, viajaram de autocarro para Porto Sudão ou seguiram para o Egipto.

O cônsul, que continua em território sudanês, acrescentou que a operação foi coordenada com a embaixada no Cairo, responsável pelo Sudão, onde Portugal não tem representação permanente.

"Estou feliz por todos os portugueses terem sido retirados da zona de guerra, que é Cartum", afirmou Abdelmagid.

Quanto ao português que permaneceu no Sudão, o cônsul informou que este reside em Gadarife, a cerca de 400 quilómetros da capital, pelo que "não está em perigo". Além disso, acrescentou, trabalha para uma agência de refugiados e "preferiu ficar" no país para continuar o seu trabalho.

O Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, Josep Borrell, estava a contar que o processo de retirada dos cerca de 1200 cidadãos europeus do Sudão ficasse concluído ainda esta segunda-feira.

Os combates no Sudão opõem o Exército, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhane, líder de facto do país desde o golpe de 2021, e um antigo adjunto, que se tornou inimigo, o general Mohamed Hamdan Dagalo, líder do grupo paramilitar RSF.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, desde 15 de Abril, quando os confrontos se intensificaram, já morreram mais de 420 pessoas, entre as quais nove crianças, e há mais de 3700 feridos.

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