A mãe de Leonardo da Vinci terá sido uma escrava do Cáucaso, revela investigação

A teoria é de Carlo Vecce, professor da Universidade de Nápoles, que publicou esta terça-feira um romance baseado no seu novo estudo.

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"Mona Lisa" no Louvre Christophe Petit Tesson/epa

Afinal, a progenitora de Leonardo da Vinci pode não ter sido uma camponesa da Toscana, mas sim uma escrava circassiana, grupo étnico originário da região norte do Cáucaso.

A descoberta, anunciada à imprensa esta terça-feira, foi feita por Carlo Vecce, professor da Universidade de Nápoles. Na sequência de uma investigação documental e arqueológica, tendo como base principal os arquivos municipais da cidade de Florença, Vecce concluiu que a mãe de Leonardo da Vinci terá sido levada à força das montanhas caucasianas, “vendida e revendida diversas vezes em Constantinopla, e posteriormente em Veneza, antes de chegar a Florença”, contou o investigador à Agência France-Presse durante a sessão de lançamento do seu novo livro, O Sorriso de Caterina, um romance construído em torno desta investigação.

Em Florença, Caterina terá conhecido um jovem notário, Piero, o pai do autor de Mona Lisa. O investigador encontrou um documento “legal” assinado pelo notário, datado de 1452 (ano em que Leonardo nasceu), em que o próprio defendia a “emancipação” e “libertação” de Caterina, de modo a esta poder “recuperar a sua dignidade”.

Segundo Carlo Vecce, em Florença, durante o período medieval, era comum os mercadores comprarem e venderem jovens mulheres para servirem como amas-de-leite, cuidadoras e escravas sexuais. Caterina terá sido comprada por Donato di Filippo di Salvestroc Nati, um “velho aventureiro florentino”, diz o diário espanhol El País, que era dono de escravos do Antigo Oriente e da região do mar Negro.

Vecce acredita que o percurso e a vida da mãe de Leonardo da Vinci influenciaram o trabalho desenvolvido pelo pintor italiano e mestre do Renascimento: “Caterina deixou a Leonardo um grande legado e, certamente, o espírito da liberdade, que inspira todo o seu trabalho intelectual e científico.”

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