Autismo e consciência: combater mitos

A PEA é uma perturbação do neurodesenvolvimento, manifesta-se ao longo do desenvolvimento da criança e é uma situação permanente. Não é desencadeada por nenhum estilo parental.

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No dia 2 de Abril celebrou-se o Dia Mundial de Consciencialização para o Autismo. Esta data tem como objetivo informar e sensibilizar a população para as caraterísticas desta perturbação. A importância desta data prende-se com a necessidade de desmistificar mitos e preconceitos, educar e combater ideias como as seguintes:

“Ele é mandão! Só quer brincar à sua maneira!”

Na perturbação do espetro do autismo (PEA) existem padrões de comportamento restritos e repetitivos, que permitem à criança regular-se e tranquilizar-se, criar sentido e previsibilidade em situações desconhecidas. Por este motivo, existe uma maior rigidez e dificuldade em aceitar ideias alternativas. A negociação e empatia são as chaves para a integração num grupo de colegas. É importante sensibilizar os colegas para as dificuldades do aluno com PEA, para que possam compreender que se trata de um modo de funcionamento diferente.

“Ela é que provoca as confusões com os colegas!”

As crianças com PEA têm maiores dificuldades nas interações sociais, para elas é difícil compreender pistas sociais que informam que a outra pessoa está chateada ou aborrecida. É também mais difícil compreender quais são os comportamentos esperados ou adequados para cada situação. Para estas crianças, é útil a utilização de uma linguagem clara, explicando qual é o comportamento adequado para evitar conflitos.

“Ele gosta de desestabilizar; faz birras para chamar a atenção”

Na PEA, existem hipersensibilidades sensoriais (maior sensibilidade a luzes, sons, texturas). Por este motivo, muitas vezes o mundo é percebido como algo muito intenso e cansativo. As dificuldades na interação social têm também como consequência sentimentos de frustração, sendo frequente estas dificuldades poderem resultar em crises. É ideal ter um espaço tranquilo em que a criança possa voltar a regular as suas emoções.

“Isso é tudo falta de educação; fazem-lhe as vontades todas!”

A PEA é uma perturbação do neurodesenvolvimento, manifesta-se ao longo do desenvolvimento da criança e é uma situação permanente. Não é desencadeada por nenhum estilo parental.

“Ela não percebe a matéria, não acompanha os colegas”

As pessoas com PEA têm interesses restritos, nos quais se focam com maior intensidade. Por vezes, é difícil o envolvimento da criança em atividades que não se relacionem com o interesse restrito, o que não significa que não tenha capacidade para compreender a matéria. Usar os seus interesses e adaptá-los à matéria pode ser a chave para envolver a criança na aula.

Com serenidade, empatia e estratégia, é possível incluir todos numa sociedade mais diversa!

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