Paulo Macedo pode entrar na Caixa com equipa a meio gás

Nomes da nova administração ainda não foram entregues oficialmente em Frankfurt. Governo tenta avaliação informal. Processo burocrático pode obrigar Macedo a entrar com equipa mínima.

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evr Enric Vives-Rubio

A 15 dias de António Domingues abandonar funções na Caixa Geral de Depósitos, o Governo ainda não entregou formalmente em Frankfurt os nomes que vão integrar a próxima administração do banco público, confirmou o PÚBLICO junto de várias fontes. Ao invés do que aconteceu na Primavera passada, Mário Centeno optou por fazer um processo de consultas informais com o supervisor, para garantir que desta vez não haverá problemas ou a recusa de nomes propostos.

A nova estratégia já tinha sido sinalizada por António Costa na entrevista à RTP de há duas semanas, quando admitiu terem existido "episódios que não foram positivos", também na formação da equipa, comprometendo-se a evitar os mesmos erros nesta fase.

Sem objecções no banco central português, este novo processo informal acaba por trazer um risco inevitável ao Governo socialista: é que António Domingues já deixou claro que sairá mesmo a 31 de Dezembro e o processo formal de aprovação dos nomes em Frankfurt pode facilmente ultrapassar esse prazo. Porque a Caixa não pode ficar sem administração, mas também para evitar que o Mecanismo Único de Supervisão nomeie (face a um vazio de poder) uma administração transitória, o Executivo está a tentar que o supervisor aceite um processo de aprovação a dois tempos, que permita a Paulo Macedo entrar em funções a 1 de Janeiro com uma equipa reduzida - que seria depois completada.

Segundo uma fonte ouvida pelo PÚBLICO, o processo de avaliação informal ainda nem é sobre a totalidade da equipa que Paulo Macedo levará para o banco público - sendo que alguns dos nomes propostos ainda não tiveram essa "luz verde" informal de Frankfurt. Mas bastará que sejam autorizados dois ou três novos administradores executivos, dentro da lista de cinco que Macedo já tem fechados, para que a administração a meio gás possa assumir funções no início do ano (faltando ainda conhecer-se os não executivos).

Segundo os nomes que têm vindo a público, o ex-ministro da Saúde já convidou Maria João Carioca (ainda presidente da Bolsa de Lisboa), José João Guilherme (com quem trabalhou no BCP e ex-administrador Novo Banco), Francisco Cary (ex-BESI, hoje administrador financeiro do Novo Banco), Nuno Martins (que já passou pela banca internacional e é adjunto do secretário de Estado das Finanças), fazendo subir um alto quadro da Caixa, José Brito). O Expresso acrescentou há uma semana que Macedo quer ficar com um dos três executivos da equipa de Domingues que não se demitiram. 

Destes nomes, só Paulo Macedo, Maria João Carioca e José João Guilherme, estão, segundo sabe o PÚBLICO, já confirmados. Mas deverão vir a juntar-se a estes o de Francisco Cary, que já foi convidado, mas continua vinculado ao Novo Banco, e José Brito.

"Está a percorrer-se a via sacra", explica uma fonte do sector financeiro, referindo-se às necessárias aprovações, primeiro, da comissão de avaliação, a quem cabe verificar que todos os membros dos órgãos de administração e fiscalização possuem os requisitos de adequação necessários para o exercício das respectivas funções. Depois será a vez do Banco de Portugal e, por fim, do Banco Central Europeu.

Do lado do Ministério das Finanças, segundo as mesmas fontes, quem está a coordenar o processo é Nuno Martins, adjunto do do secretário de Estado das Finanças que também deverá vir a juntar-se à equipa de Paulo Macedo.

Para um segundo momento ficará a escolha dos administradores não executivos, sendo que a liderança do Conselho de Administração (não executivo) caberá a Rui Vilar.

Mesmo confiantes de que a experiência de todos estes gestores será reconhecida, o Governo e Paulo Macedo ainda precisam que o BCE e o Mecanismo de Supervisão acelerem os seus procedimentos internos. Não tanto pela apreciação dos nomes, currículos e competências, o que já está a ser feito, mas pela burocracia a que todas estas aprovações estão sujeitas. Em Lisboa, acredita-se numa decisão "sumária", forma informal de falar numa aceleração face às circunstâncias que todos conhecem no Banco Central Europeu para evitar um vazio de poder e Paulo Macedo comece a trabalhar, mesmo que a meio-gás. "Não é o desejável, mas não é dramático", assume uma fonte governamental.

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