Governo da Colômbia e FARC assinam novo acordo de paz na quinta-feira

Primeiro acordo foi rejeitado em referendo.

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Juan Manuel Santos, Presidente da Colômbia AFP

O Governo colombiano e a guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão assinar um segundo acordo de paz na próxima quinta-feira, depois de um primeiro acordo para pôr fim a décadas de violência no país ter sido rejeitado em referendo.

“O Governo e as FARC concordaram assinar o acordo final para pôr fim ao conflito e construir uma paz estável e duradoura”, declararam negociadores de ambas as partes num comunicado divulgado na terça-feira à noite.

O acordo prevê que as FARC que durante mais de 50 anos conduziram uma insurreição contra a autoridade do Estado se convertam numa organização política legítima, com representação parlamentar, onde os seus membros podem beneficiar de um sistema de justiça e reparações que não passe pela prisão.

O primeiro documento foi rejeitado pelo povo colombiano no referendo realizado a 2 de Outubro, onde o “não” chegou aos 50,21%. A 12 de Novembro, as duas partes delinearam um novo acordo que incorpora algumas das exigências dos que defenderam o “Não”.

Do lado da oposição ao acordo está o antigo Presidente colombiano Álvaro Uribe, descontente com as alterações feitas ao documento. Em declarações citadas pelo El País, o antigo governante considera que o novo acordo é “apenas um retoque” do documento rejeitado pelos colombianos e por isso pede ao Governo que realize um segundo referendo.

Os líderes da oposição acusam o Governo colombiano de negar um acordo nacional sobre questões essenciais para o país.

As críticas de Uribe não foram bem-recebidas pelo Governo. Humberto de la Calle, chefe da equipa das negociações entre as duas partes, vincou que o acordo acontece entre o Governo e as FARC. "É hora de avançar. Os colombianos não podem continuar a viver na incerteza", asseverou o porta-voz, reiterando que o Governo pretende levar a assinatura ao Parlamento, sem nova consulta popular.

O jornal espanhol descreve ainda que a reunião de segunda-feira entre os negociadores e os líderes da oposição ao acordo foi "tensa", uma vez que a equipa liderada pelo antigo Presidente colombiano acha que o que está previsto no acordo é "insuficiente".

O processo de reconciliação começou a delinear-se com o cessar-fogo bilateral e definitivo assinado a 23 de Junho em Havana pelo Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e Timoleón Jiménez (ou Timochenko) e que deu a Juan Manuel Santos o Prémio Nobel da Paz este ano.

A assinatura está marcada para as 11h de Bogotá.

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