Consultor de adversário de Joe Biden admite telefonemas falsos a imitar Presidente

Steve Kramer, consultor contratado para a campanha do congressista democrata Dean Phillips, garantiu que as chamadas falsas tinham sido feitas à revelia do seu cliente.

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Mensagem incitava os eleitores a não votar nas primárias do Partido Democrata no New Hampshire EPA/TANNEN MAURY
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Um consultor político norte-americano, que trabalha para a campanha de Dean Phillips, congressista democrata na corrida à Casa Branca (ainda que com pouca expressão nas sondagens), declarou ser o promotor de chamadas telefónicas automatizadas e falsificadas, usurpando a voz do Presidente Joe Biden.

O telefonema gerado com recurso a inteligência artificial (IA) incitava os eleitores a não votar nas primárias do Partido Democrata no Estado do New Hampshire, disputadas entre Joe Biden e Dean Phillips, a poucos dias da ida às urnas, no final de Janeiro. O caso motivou uma investigação por “tentativa ilegal de perturbar” um escrutínio.

O incidente aumentou as preocupações de autoridades, analistas e associações, que receiam um crescimento acentuado de montagens de áudio e vídeo com fins de desinformação, durante as eleições presidenciais nos EUA e outras relevantes que vão ocorrer, em vários pontos do mundo, este ano.

Steve Kramer, um consultor contratado para a campanha de Dean Phillips, congressista eleito pelo estado do Minnesota que se apresenta agora como a alternativa democrata a Joe Biden, admitiu no domingo, em declarações à NBC News, que tinha contratado o ilusionista Paul Carpenter para imitar a voz de Biden, graças a um instrumento de IA.

Garantiu ainda que as chamadas tinham sido feitas à revelia da campanha de Dean Phillips e informou que recebeu uma intimação do regulador das telecomunicações norte-americano (FCC, na sigla em inglês).

“Ainda bem que ele confessou. Os EUA já deveriam ter mecanismos de protecção para impedir utilizações nefastas da IA”, declarou o candidato democrata nas redes sociais, assumindo parte da culpa. "A responsabilidade é minha. (...) Como o próprio reconheceu ontem, a chamada a imitar Joe Biden no New Hampshire foi feita apenas por sua iniciativa e eu condeno-a."

O consultor político justificou-se dizendo que tinha a intenção de alertar para os perigos da inteligência artificial em política. “É uma oportunidade para mim de fazer a diferença. E foi o que fiz”, disse à NBC. “Por 500 dólares, fiz uma operação com um valor aproximado de cinco milhões de dólares, trate-se da atenção dos media ou da reacção das autoridades."

A falsa mensagem telefónica, redigida por Kramer, começava com a afirmação “What a bunch of malarkey" (numa tradução para português: "Tanto disparate"), uma das expressões mais características de Joe Biden.

"Votar esta terça-feira só ajuda os republicanos na sua tentativa de eleger Donald Trump novamente. O seu voto faz a diferença em Novembro, não nesta terça-feira", instava a voz do telefonema, desvalorizando a ida às urnas nas primárias democratas em New Hampshire.

"Tanto o consultor como a pessoa responsável pela sua contratação deixaram de estar associados à minha campanha", esclareceu Dean Phillips.

No início de Fevereiro, a FCC decidiu proibir as chamadas automáticas efectuadas com vozes geradas por um programa de IA (robocalls),​ devido às falsificações cada vez mais sofisticadas permitidas por esta tecnologia.

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