Leilão de bens de Mandela gera controvérsia na África do Sul

Governo considera que objectos são “património nacional”, mas um tribunal deu luz verde ao leilão. Documento de identificação de Nelson Mandela integra o lote.

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Nelson Mandela foi o primeiro Presidente democraticamente eleito da África do Sul pós-apartheid, regime racista que ajudou a derrubar Reuters/DYLAN MARTINEZ
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Presentes de líderes mundiais, peças de roupa, um conjunto de aparelhos auditivos, desenhos feitos na prisão e um cartão de identificação – são estes alguns dos objectos que vão a leilão por iniciativa da filha mais velha de Nelson Mandela, apesar da contestação do Governo da África do Sul. Em causa está o facto de as autoridades sul-africanas considerarem que as peças são “património nacional”, não devendo ser adquiridas por privados.

A venda já havia sido tentada, pela primeira vez, em 2021, tendo tido rápida oposição do Governo sul-africano. Após um processo judicial movido pela Agência Sul-Africana de Recursos do Património (SAHRA), a iniciativa caiu por terra. Agora, um novo pedido de interdição do leilão foi recusado pelo Tribunal Superior da província de Gauteng, com a justificação de que não existem provas suficientes de que as peças em causa possam ser qualificadas como património nacional. A SAHRA já interpôs um recurso.

A Lei do Património da África do Sul está em vigor desde o ano 2000, tendo sido actualizada em 2019 com o objectivo de clarificar e definir o termo “objectos de património”. Nos documentos constantes do processo judicial em curso, a SAHRA defendeu que parte dos objectos integrantes das 70 peças a leilão são “objectos patrimoniais, ao abrigo da lei do Património e da Nação”, não podendo assim ser removidos do país, segundo cita o New York Times.

A tentativa de suspensão do leilão conta com o apoio do ministro do Desporto, Artes e Cultura. Zizi Kodwa afirmou que Nelson Mandela “é parte integrante da história da África do Sul”, cita a BBC.

Na lista dos objectos que vão a leilão estão uma raquete de ténis usada pelo líder da luta contra o apartheid enquanto estava na prisão, cartas pessoais e presentes de chefes de Estado internacionais – como um cobertor de lã com o traço da bandeira americana, oferecido por Obama. O documento de identificação, recebido por Mandela após ter sido libertado, vai a leilão com um valor de licitação inicial de 75 mil dólares, segundo estima a leiloeira Guernsey, sediada em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

O leilão online está agendado para 22 de Fevereiro. Os lucros reverterão para a construção de um jardim memorial em homenagem a Nelson Mandela, perto do seu cemitério, de acordo com a filha mais velha do primeiro Presidente democraticamente eleito na África do Sul do pós-apartheid.

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