Como reduzir o impacto ambiental dos animais de estimação?

Fazem companhia e ajudam a aliviar o stress, mas também têm impacto no ambiente. O que podemos fazer para reduzir a pegada ambiental dos animais de estimação?

Foto
Dicas para reduzir o impacto dos animais de estimação Zen Chung/Pexels

Sacos de plástico para recolher dejectos, roupas impermeáveis para os dias de chuva, latas de comida húmida, areia não-biodegradável. Embora os animais não tenham escolhido instalar-se em nossas casas, também têm uma pegada ambiental.

Cães e gatos domésticos não só têm um impacto ambiental, como também sofrem com as alterações climáticas. O risco de transmissão de doenças parasitárias de cães e gatos tem vindo a aumentar, uma vez que a sazonalidade das pulgas e carraças está a desaparecer à medida que as estações do ano também se esbatem.

Catástrofes naturais como incêndios, tempestades ou inundações também vitimam animais domésticos e selvagens, que ficam desalojados, feridos ou perdem a vida. Há pequenas alterações que podemos fazer para diminuir o lixo e impacto ambiental de ter um animal de companhia.

Comprar ração em maior quantidade

A alimentação é responsável por uma das maiores fatias da pegada ecológica dos nossos animais. Independentemente do tipo de comida — para cães sénior, gatos esterilizados ou específica para algum problema de saúde como insuficiência renal, por exemplo — comprar em grandes quantidades tem vários benefícios.

Optar por ração seca em vez de húmida é uma pequena mudança a considerar, já que um estudo recente publicado na revista Nature mostrou que este tipo de comida tem menor impacto ambiental quando comparado com a comida húmida.

Ainda que represente um investimento inicial maior (implica gastar mais dinheiro de uma só vez), um saco de ração maior pode até representar um valor por quilograma mais baixo. Quanto ao ambiente, as vantagens de optar por grandes quantidades passam por diminuir as emissões de gases poluentes associadas às idas ao local de compra, bem como do transporte da própria ração, mas também pela redução do plástico das embalagens.

Muitas vezes, os sacos têm estampadas indicações como “biodegradável” ou “sustentável”, mas continuam a representar um resíduo que vai integrar a linha de gestão de resíduos.

Reduzir, reutilizar e fazer upcycling

Reduzir é o primeiro dos cinco R’s da sustentabilidade. Podemos aplicar estas máximas em tudo, até aos nossos animais de estimação. Isto significa reflectir sobre a quantidade necessária de brinquedos e de outros bens.

Depois de fazer este exercício, e sendo identificada uma necessidade real, procurar algum do it yourself (DIY) pode ser uma solução. É fácil juntar alguns pares de meias para fazer uma bola ou entrelaçar tecidos velhos para fazer um brinquedo para roer. Caso os trabalhos manuais não sejam o teu forte, podes também fazer compras em segunda mão (não faltam apps que facilitam a missão).

Ser criativo na hora de recolher dejectos

Recolher os dejectos dos cães durante o passeio é obrigatório e até há cidades francesas que apostam nos testes de ADN para identificar os donos mais distraídos (e infractores, já que deixar os dejectos na via pública dá coima).

No entanto, este gesto também tem um impacto ambiental significativo, já que implica o uso de três a quatro sacos de plástico de utilização única por dia. Há opções biodegradáveis à venda, mas não há compostores domésticos com a capacidade de decompor aqueles sacos, que acabam na mesma no lixo comum.

As alternativas podem passar por reutilizar sacos de plástico, papéis de publicidade indesejada e outros materiais que tenhamos em casa cujo destino seria o lixo comum.

No caso dos gatos, não havendo um pedaço de terra onde possam ir livremente, a opção continua a ser a caixa de areia. Não faltam nos supermercados, veterinários e lojas de produtos para animais de estimação diferentes tipos de areia.

A areia feita de materiais orgânicos e biodegradáveis é preferível à argila. Assim como na ração, é boa ideia comprar em grandes quantidades e ter atenção ao material da embalagem: o cartão 100% reciclável é boa opção.

Criar uma comunidade e partilhar recursos

Viagens ao veterinário, idas à loja de animais ou até passeios ao parque canino podem ser partilhadas com outros vizinhos e amigos que também tenham animais. É uma forma de criar e estreitar laços, mas também de optimizar recursos.

Se os vizinhos também têm animais, outra opção para reduzir o impacto ambiental das deslocações pode ser optar por serviços ao domicílio numa só casa. Tutores de gatos, por exemplo, podem preferir esta estratégia e muitos animais agradecem não ter de sair do conforto de casa.

Produtos naturais para banhos e tosquias

Na hora do banho, a escolha do champô, do perfume e de outros produtos de higiene, pode ter um impacto ambiental considerável. Assim, escolher produtos naturais e biológicos, com menos químicos, pode ser uma estratégia a adoptar.

Encontram-se à venda em quase todas as lojas de produtos para animais, veterinários e supermercados este género de opções, basta prestar atenção às embalagens.

Sugerir correcção
Ler 2 comentários