Costa segura Medina e lembra que consequências políticas foram assumidas por Pedro Nuno Santos

O socialista garante que as demissões do chairman e da CEO da TAP não irão penalizar o processo de privatização da operadora aérea.

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António Costa rejeita demitir o seu ministro das Finanças, Fernando Medina LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira que as “consequências políticas” relativas ao caso da indemnização, agora considerada nula, que foi paga à ex-administradora Alexandra Reis já foram “retiradas há várias semanas”.

Com esta declaração, António Costa reitera que o actual ministro das Finanças, Fernando Medina, nada teve a ver com o processo, e sinaliza que a consequência política foi assumida pelo ex-ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, que, depois de se demitir, recorreu à fita do tempo e percebeu que, afinal, não só teve conhecimento do acordo de indemnização, mas também o autorizou. Horas antes da demissão de Pedro Nuno Santos, já o secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Santos Mendes, havia apresentado a sua demissão.

Em declarações aos jornalistas transmitidas pelas televisões, António Costa afirmou também considerar que as “consequências políticas (...) já estavam tiradas há várias semanas”. E acrescentou que o relatório da Inspecção-Geral de Finanças (​IGF) veio confirmar “pela enésima vez” que “o ministro das Finanças não teve nenhuma intervenção nem conhecimento do processo” e que “nem sequer o anterior ministro das Finanças” tinha conhecimento.

Quanto às demissões do chairman e da CEO da TAP na sequência do relatório da IGF ter concluído ser nulo o acordo obtido entre a operadora aérea e a Alexandra Reis, o chefe do Governo admitiu que “qualquer acto do Estado é questionável em tribunal” e que tanto Manuel Beja como Christine Ourmières-Widener poderão recorrer à Justiça, se assim o entenderem.

Seja como for, Costa deixou um “reconhecimento” em relação ao trabalho desenvolvido pela administração da TAP, cujos “resultados da reestruturação têm sido positivos”. “Isso fica a crédito desta administração e da CEO”, disse. Por outro lado, defendeu que as exonerações não vão afectar o processo de privatização da empresa, e deixou a garantia de que o plano de reestruturação continuará a ser executado.

António Costa falava aos jornalistas no Seixal, no final da sessão de inauguração do primeiro projecto de injecção de Hidrogénio Verde na rede de gás natural em Portugal, depois de questionado sobre as consequências da decisão do Governo de exonerar os presidentes executivo e do conselho de administração da TAP.

“O processo de privatização da empresa assenta sobretudo na qualidade da TAP, no potencial da TAP e na forma como o plano de reestruturação tem vindo a ser seguido. O plano de reestruturação continuará a ser executado e, portanto, as condições para a privatização não serão postas em causa. Felizmente, há várias empresas que têm manifestado interesse nesse processo”, sustentou o líder do executivo.

António Costa referiu que ainda na semana passada a companhia alemã Lufthansa manifestou interesse em entrar na privatização da TAP.