O exercício diáfano de Djaimilia Pereira de Almeida

Vera vive com uma espécie de duplo enquanto enquanto escreve um diário. O livro em que ela convalesce. Ferry é uma história de amor.

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Ferry, mais uma prova do inconformismo de um projecto de escrita Rui Gaudêncio

“Sempre que começo um texto, ele é primeiro uma imagem na mente, uma projecção no espaço, um ente geométrico pulsante, de arestas indefinidas. Por agora esse lugar completo é Lisboa.” Vera escreve o seu diário e para ela esse acto de escrita parece ser uma das únicas provas da sua existência. Escreve e aspira a ser tão clara que “o que dissesse já não fosse uma linguagem, mas um risco no gelo”. Será possível? Vera escreve e pergunta “quem sou eu?”, sabendo que essa “é uma pergunta que apenas os outros podem responder por nós”. Na escrita, Vera procura suplantar-se. Através da linguagem, quer sair da linguagem que a enlouquece. É uma Vera dupla, ou paralela ou o outro lado de Vera, mulher de Albano, o seu amor de sempre. E o seu diário é a história de uma auto-indagação. Por exemplo, daquilo que seria se um dia não tivesse adoecido.

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