Um périplo geográfico, com a ortografia a reboque

No universo da língua portuguesa continua a haver designações diferentes para 19 países, apesar do Acordo Ortográfico de 1990.

Celebra-se esta quinta-feira mais um aniversário (o 382.º) da Restauração da Independência de Portugal, que, este ano, contará com “forte participação de Tunas Académicas, um pouco por todo o país”, como oportunamente informou a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Uma festa. E também uma boa oportunidade para voltar à língua portuguesa, que continua a suscitar novos livros. Só este mês, saíram mais dois: O Mundo Pelos Olhos da Língua, de Manuel Monteiro (Ed. Objectiva) e Palavras Descruzadas, de António Bagão Félix (Ed. Clube do Autor). Ainda que a eles mais tarde voltemos, há um texto de Bagão Félix que se ajusta na perfeição ao momento em que, devido ao Mundial de Futebol, muita gente anda por aí a papaguear países. A começar pelo Qatar, ou Catar; que tem por capital Doha, ou Doa. Qatar, formulação vinda do persa-árabe, que é usada em várias línguas para designar tal país, transformar-se-ia em Catar seguindo os preceitos da língua portuguesa. Porém, tal como no caso de Frankfurt, que em português será Francoforte, as resistências ao seu uso ainda baralham a escrita, havendo quem refira, num mesmo texto, Catar e Doha, e vice-versa, ou escolha uma das normas. Mesmo assim, ninguém duvida do que se trata.

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