Rui Tavares é o convidado do Encontro de Leituras desta terça-feira

O Pequeno Livro do Grande Terramoto em discussão no clube de leitura do PÚBLICO e da Folha de S. Paulo a 11 de Outubro, às 22h em Lisboa (18h em Brasília) numa sessão Zoom, como habitualmente, aberta a todos os que queiram participar. A ID é a 863 4569 9958 e a senha de acesso 553074.

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Rui Tavares e o casario de Lisboa em fundo Rui Gaudencio

“Terremoto ou terramoto?”, pergunta Rui Tavares nas notas finais de O Pequeno Livro do Grande Terramoto, editado pela primeira vez em 2005, ano em que se comemorou o 250.º aniversário do sismo, que aconteceu em Lisboa a 1 de Novembro de 1755 seguido de tsunami e incêndios. “A origem latina (terræmotus — movimento da terra), com a sua dupla vogal ‘Æ’, permite as duas opções. No âmbito deste livro, optei pela forma corrente hoje (em Portugal) ‘terramoto’. Nos séculos XVIII e XIX, a forma mais comum era terremoto — e é ainda a utilizada no Brasil. Esta forma aparecerá por vezes nas transcrições de fontes antigas, onde decidi manter a ortografia, a pontuação e a utilização de maiúsculas originais nos textos portugueses”, explica o historiador na edição portuguesa deste livro, que foi escrito em 62 dias e inaugurou o catálogo da editora Tinta-da-China, lançada por Bárbara Bulhosa em 2005.

Por isso não é de espantar que O Pequeno Livro do Grande Terramoto, que tem tido em Portugal várias edições, uma delas em versão livro de bolso, e está traduzido em inglês, russo e italiano, foi neste ano editado no Brasil com o título O Pequeno Livro do Grande Terremoto: Ensaio sobre 1755 pela Tinta-da-China Brasil.

A edição brasileira tem a graça de ter uma animação na margem do livro, “uma figurinha que é uma gravura que mostra um homem fugindo do terramoto”, como se fosse um flip book, como explicou o editor Paulo Werneck na Bienal do Livro de São Paulo​. É esta a obra que estará em discussão no Encontro de Leituras, o clube de leitura do PÚBLICO e da Folha de S. Paulo, que terá o historiador, escritor e político português Rui Tavares como convidado, a 11 de Outubro, às 22h em Lisboa (18h em Brasília) numa sessão Zoom, como habitualmente, aberta a todos os que queiram participar. A ID é a 863 4569 9958 e a senha de acesso 553074. Aqui fica o link.

“Como corre a linha da história? Devemos imaginá-la recta – ascendente ou descendente -, curvilínea, espiralada? Se a pensarmos sob cada uma destas formas, como integramos então os seus movimentos bruscos, como o Grande Terramoto [1755], o 11 de Setembro [2001] ou o megatsunami de 2004?”, escreve Rui Tavares neste livro onde analisa um dos fortes candidatos a entrar na lista dos “dias que mudaram o mundo”, o dia 1 de Novembro de 1755.

“Mas poderá a história humana – manifestamente tão diferente das leis da física – ser compreensível por meio de singularidades? Que figuração poderá espelhar estas moções imprevistas, os dias em que o curso normal das coisas se rompe, galga as margens ou ressalta de forma bizarra? Terá a história esquinas ou cotovelos? Esta é uma velha pergunta.”

Neste livro, Rui Tavares põe-nos a imaginar o que seria Lisboa se o terramoto não tivesse acontecido; conta-nos os relatos do rescaldo da catástrofe e da reconstrução da cidade; as histórias dos sobreviventes, o que se escreveu e analisa como as catástrofes mudam a nossa percepção do mundo. Numa das críticas do Goodreads, onde o livro é muito elogiado, o leitor Sérgio resume os objectivos deste ensaio: “Contextualizar a Lisboa pré-terramoto; descrever a catástrofe natural em si e os cinco planos para a reconstrução da cidade; percepcionar as ondas de choque do fenómeno no panorama político, cultural, filosófico, religioso e, em última instância, civilizacional de 1755; abordar as formas como, ainda hoje, somos filhos do terramoto e nem nos apercebemos.”

Licenciado em História e História de Arte pela Universidade Nova de Lisboa, Rui Tavares é doutor em História pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Foi cronista do PÚBLICO por mais de uma década; eurodeputado (2009-2014); e, em Janeiro de 2022, foi eleito, pelo partido de esquerda verde europeísta Livre, deputado à Assembleia da República.

Rui Tavares (Lisboa, 1972) é também autor da peça de teatro O Arquiteto e entre outros livros, dos ensaios A Ironia do Projeto Europeu (2012); e Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XX (2015) e O Censor Iluminado- Ensaio sobre o pombalismo e a revolução cultural do século XVIII (2018, a sua tese de doutoramento). Criou o podcast Agora, agora e mais agora e traduziu obras de Voltaire e de Giordano Bruno.

O Encontro de Leituras junta leitores de língua portuguesa uma vez por mês e discute romances, ensaios, memórias, literatura de viagem e obras de jornalismo literário na presença de um escritor ou especialista convidado. É moderado pela jornalista Isabel Coutinho, responsável pelo site do PÚBLICO dedicado aos livros, o Leituras, e pelo jornalista da Folha de S. Paulo Eduardo Sombini, apresentador do Ilustríssima Conversa, podcast de livros de não-ficção.

O evento discute romances, ensaios, memórias e outras obras na presença de um escritor ou um especialista convidado e busca reunir leitores de língua portuguesa de diversos países. Os melhores momentos de cada sessão podem ser ouvidos no podcast Encontro de Leituras.

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