Arquitectura

Numa floresta de Arouca, cresceram pequenas casas de madeira para acordar na natureza

A floresta na aldeia da Paradinha, em Arouca, acolhe agora 11 pequenas casas pré-fabricadas para contemplar o rio Paiva, aproveitar a praia fluvial ou espreitar os passadiços. Projectado pelo gabinete Summary, hotel foi erguido a pensar na natureza — e nenhuma árvore foi derrubada durante o processo.

A floresta na aldeia da Paradinha, em Arouca, acolhe 11 pequenas casas pré-fabricadas com vista para o rio Paiva © Fernando Guerra FG+SG
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A floresta na aldeia da Paradinha, em Arouca, acolhe 11 pequenas casas pré-fabricadas com vista para o rio Paiva © Fernando Guerra FG+SG

No meio da floresta, na aldeia da Paradinha, em Arouca, cresceram 11 pequenas casas para quem quer aproveitar os atributos da região — o rio Paiva, a praia fluvial da Paradinha ou os passadiços do Paiva. “Apesar de ser um projecto que está no meio da floresta, acaba por ser um projecto que está no epicentro de um conjunto de elementos naturais muito interessantes para quem gosta de visitar e de estar em contacto com a natureza”, conta ao P3 Samuel Gonçalves, arquitecto do estúdio de arquitectura Summary, responsável pelo projecto.

É também com foco na natureza que estas pequenas casas, que compõem o complexo Syntony Hotels - Paradinha Village, foram erguidas. Com o objectivo de “reduzir o impacto da construção ao mínimo”, as habitações são estruturas pré-fabricadas, que depois foram implantadas no local. A construção destes habitáculos e a respectiva orientação, com “diferentes posições e diferentes direcções”, assumem um critério fundamental na protecção da natureza. “Todas as casas foram colocadas e estão localizadas precisamente para não fosse necessário proceder à remoção de nenhuma espécie arbórea”, salienta Samuel.

Os habitáculos, que apresentam dimensões distintas, mantêm ainda características de sustentabilidade e de preservação de recursos já existentes na aldeia da Paradinha. “Todas as casas dispõem de ventilação natural cruzada, o que faz com que as necessidades em termos de conforto térmico sejam alcançadas com pouco esforço energético”, evidencia o arquitecto. Também os antigos muros de suporte em xisto foram preservados de modo a “manter a configuração original do terreno”.

As casas foram construídas em betão armado por ser “um material resistente e com durabilidade” para as condições da floresta. “Estando num sítio que é muito exposto a temperaturas muito elevadas no Verão, a temperaturas muito baixas no Inverno e a um elevado teor de humidade, devido a estarem posicionadas num vale junto ao rio Paiva, o material tinha de ser pensado na redução da necessidade de manutenção das casas a longo prazo”, sublinha o arquitecto

Os habitáculos, que agora integram a floresta da Paradinha, estão integrados numa unidade turística, podendo também servir de habitação de médio a longo prazo. O objectivo é que tenham uma “uma ocupação não sazonal” para “promover a manutenção frequente do complexo” e “melhorar a segurança daquela área”.

Texto editado por Amanda Ribeiro