PSD exige que secretária de Estado da Protecção Civil peça desculpa aos portugueses

“O Governo está em roda livre. Os membros do Governo estão a dizer coisas que são absolutamente inauditas e que nós entendemos com grande perplexidade e estupefacção”, afirmou Luís Montenegro.

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Luís Montenegro com Antonino de Sousa, presidente da câmara de Penafiel, na visita à feira Agrival LUSA/FERNANDO VELUDO

O presidente do PSD, Luís Montenegro, exigiu esta quarta-feira que a secretária de Estado da Protecção Civil pedisse desculpas aos portugueses por ter dito que, face à “severidade meteorológica”, a área ardida este ano deveria ser 30% superior.

“Exigimos um pedido de desculpas aos portugueses, às famílias que estão hoje a sofrer este flagelo e também a muitos milhares de pessoas que estão no terreno a combater os incêndios florestais”, afirmou o líder social-democrata, referindo que as declarações da governante exemplificam “o estado em que está o Governo”.

“O Governo está em roda livre. Os membros do Governo estão a dizer coisas que são absolutamente inauditas e que nós entendemos com grande perplexidade e estupefacção”, acrescentou, em declarações aos jornalistas.

Em entrevista à SIC Notícias, na sexta-feira, a secretária de Estado da Protecção Civil afirmou que os “algoritmos e dados dizem que a área ardida” deveria “ser 30% superior”, considerando ainda que, “apesar da complexidade, o dispositivo tem estado a responder bem”.

“Dizer ao país, numa altura em que tanta gente está a sofrer no terreno, que, afinal de contas, está tudo a correr mais ou menos bem, porque estimava-se que ainda devia ter ardido mais 30 por cento do que já ardeu, porque há um misterioso algoritmo no Ministério da Administração Interna, é de facto de uma perplexidade”, observou o líder social-democrata, rematando: “Há aqui uma grande desorientação no Governo, na esteira do que acontece noutros sectores”.

Luís Montenegro visitou a 41.ª edição da Feira Agrícola do Vale do Sousa - Agrival, em Penafiel, no distrito do Porto, que decorre até domingo com cerca de 350 expositores.

O líder partidário lamentou, também, as recentes declarações da ministra da Agricultura depois de a Confederação da Agricultura Portuguesa (CAP) ter reclamado mais apoios do Governo para o sector fazer face às dificuldades provocadas pela seca.

“A ministra da Agricultura, perante uma reclamação legítima do sector e de uma das confederações mais representativas, veio dizer: esses senhores deviam é estar a explicar porque é que, aparentemente na campanha eleitoral, apelaram a que não se votasse no PS”.

Para o presidente do PSD, com este tipo de afirmações, o Governo está “em roda livre, onde cada um diz o que quer e não acontece nada”, enquanto, prosseguiu, “o primeiro-ministro está impávido e sereno a assistir à degradação da credibilidade, da autoridade, do respeito e de algum humanismo a quem exerce funções públicas”.

Sobre as reivindicações da CAP, o líder social-democrata disse que o PSD propõe a adopção de medidas equivalentes àquelas que acontecem em Espanha, “que tornem competitivo o sector agrícola”.

Em concreto, Montenegro defendeu “uma ajuda extraordinária para o acesso a factores de produção, como os combustíveis e a electricidade e outros, como fertilizantes e vários produtos que são hoje inflacionados, em função daquilo que está a acontecer no mercado de forma generalizada”.

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