Chuva intensa inundou o tórrido Vale da Morte

Dilúvio no Vale da Morte esteve a 0,02 centímetros de igualar o maior de sempre na localidade de Furnace Creek, na Califórnia.

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A inundação no Vale da Morte a 5 de Agosto Serviço Nacional de Parques dos EUA/Reuters

Na última sexta-feira (5 de Agosto), choveu torrencialmente naquele que é um dos lugares mais quentes e secos do globo: o californiano Vale da Morte, onde, em episódios recentes de calor extremo, já foram registadas temperaturas na ordem dos 54 graus Celsius. A precipitação foi tão intensa que, num evento raro, deixou a região extremamente inundada.

Segundo a agência espacial norte-americana NASA, foram precisas apenas três horas para chover 75% daquilo que, em média, costuma chover ao longo de todo um ano no Vale da Morte. O fenómeno não provocou feridos, mas fez com que 500 visitantes e outros tantos funcionários do Parque Nacional do Vale da Morte ficassem impedidos de deixar a zona: a inundação, que “enterrou” cerca de seis dezenas de veículos em alguns metros de resíduos, levou ao corte das estradas. E a auto-estrada California State Route 190, que dá acesso ao parque, não deverá ser reaberta antes de 19 de Agosto, pode ler-se no site do Serviço Nacional de Parques, agência governamental dos Estados Unidos.

Inundação esteve a 0,02 centímetros de igualar a maior de sempre na localidade de Furnace Creek John Sirlin/Reuters
Alterações climáticas estão a tornar eventos como este mais frequentes John Sirlin/Reuters
Inundação "enterrou" cerca de seis dezenas de veículos em alguns metros de resíduos John Sirlin/Reuters
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Citada pela agência Reuters, Amy Wines, porta-voz do Parque Nacional do Vale da Morte, referiu que, na sequência deste fenómeno de precipitação intensa, foram despejados 3,71 centímetros de chuva na localidade californiana de Furnace Creek. A inundação esteve a 0,02 centímetros de igualar um recorde: o dia em que essa região esteve mais alagada foi aquele em que caíram do céu 3,73 centímetros de água. Aconteceu em 1988, segundo Amy Wines.

A Reuters refere que as “inundações repentinas”, provocadas pelas chamadas chuvas das monções, são “uma parte natural da ecologia do Vale da Morte e ocorrem em algum lugar do parque nacional quase todos os anos”, “esculpindo e remodelando constantemente” a paisagem. Mas é raro ocorrer uma inundação como a que se registou na última sexta. A agência de notícias diz que, para encontrarmos no passado recente um evento tão significativo como o que acaba de suceder, temos de recuar até Agosto de 2004, quando uma inundação levou ao encerramento das estradas durante dez dias — e vitimou duas pessoas.

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As estradas no Vale da Morte tiveram de ser cortadas na sequência da inundação Serviço Nacional de Parques dos EUA/Reuters

Daniel Berg, do Serviço Nacional de Meteorologia de Las Vegas, descreveu o fenómeno deste ano como um “evento de 1000 anos”. “Quando dizemos ‘evento de 1000 anos’, não significa que seja um evento que acontece uma vez a cada 1000 anos. Significa que a probabilidade de esse evento acontecer num determinado ano é de 0,1%”, explicou o meteorologista.

As alterações climáticas estão a tornar eventos como este mais frequentes — e também mais intensos. A comunidade científica diz, de forma unânime, que vamos ter de aprender a conviver tanto com episódios de seca severa como com estes episódios de chuva torrencial, incluindo outros fenómenos meteorológicos extremos.

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