André Barata: “O neoliberalismo em que vivemos é a coisa mais totalitária que alguma vez vimos”

Passamos os dias numa corrida, sem controlo sobre o nosso tempo, tantas vezes a desempenhar trabalhos que deveriam ser entregues às máquinas. Vivemos desligados do mundo, seja nas redes sociais, seja na forma como tratamos os outros e a natureza. O diagnóstico é do filósofo André Barata.

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André Barata fotografado nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa Nuno Alexandre

E Se Parássemos de Sobreviver? (2018) demoliu a aceleração das nossas vidas, a tirania dos relógios. Seguiu-se O Desligamento do Mundo e a Questão do Humano (2020), compêndio das várias formas como o ser humano moderno se desligou dos outros. Este ano, a editora Documenta lançou Para Viver em Qualquer Mundo — Nós, os Lugares e as Coisas, a última obra desta trilogia de pequenos livros de André Barata. Nele, o presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia e da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior arrisca soluções: uma valorização do mundo, de uma materialidade que a Internet não substitui e das relações. Para este fundador do Livre (hoje afastado de actividades políticas), é preciso pensar para lá do capitalismo, que diz ser uma forma de totalitarismo porque entra “em todos os domínios da nossa existência”, mesmo os mais íntimos.

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