Johnny Depp ganhou, mas Amber Heard não perdeu tudo

Decisão do júri foi unânime: Amber Heard condenada por difamação. Terá de pagar a Johnny Depp 10,35 milhões de dólares.

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Amber Heard perdeu processo movido por Johnny Depp DR

Johnny Depp venceu o processo em que acusava a ex-companheira Amber Heard de difamação. Heard acusou o actor de violência e abusos domésticos, em 2018.

A actriz terá de pagar a Depp 10,35 milhões de dólares (cerca de 9,7 milhões de euros) e não 15 milhões (14 milhões de euros), como inicialmente foi noticiado. Isto porque o júri decidiu que o actor teria a receber 10 milhões de dólares (9,38 milhões de euros) de “indemnização compensatória” e cinco milhões de dólares (4,7 milhões de euros) por “indemnização punitiva”. No estado da Virgínia, contudo, o limite legal referente à última situa-se nos 350 mil dólares (perto de 329 mil euros).

A decisão dos sete jurados, unânime, foi comunicada esta quarta-feira, 1 de Junho, no tribunal de Fairfax, na Virgínia, nos Estados Unidos. O caso foi alvo de enorme atenção mediática nas últimas semanas e o dia do julgamento não foi, naturalmente, excepção.

O júri considerou que o ensaio publicado no The Washington Post era sobre Depp, que foi difamatório e que as alegações de Amber Heard foram feitas com “malícia real”.

As conclusões foram as mesmas para todas as frases escritas no ensaio, incluindo o título, e apontadas pelo actor como falsas e difamatórias.

O júri concluiu que as declarações de Heard sobre o seu casamento eram “falsas” e transmitiam “uma implicação difamatória” a outras pessoas para além de Depp.

Já no caso apresentado por Amber Heard, em que a actriz reclama ter sido alvo de difamação, as coisas não foram tão simples. Os jurados deram razão à actriz, considerando que não montou uma “embuste” quando chamou a polícia ao apartamento do então casal, em Maio de 2016, depois de um alegado episódio de violência doméstica. Atribui-lhe uma indemnização de dois milhões de dólares (1,9 milhões de euros) de indemnização compensatória, que a actriz vai receber na íntegra.

Johnny Depp com a “vida” devolvida, ​Amber Heard desapontada

O veredicto foi recebido com gritos de satisfação no exterior do tribunal e cânticos “Johnny, Johnny, Johnny” entoados por fãs do actor.

Celebração dos fãs de Johnny Depp no exterior do tribunal de Fairfaix, após o júri anunciar o veredicto: o actor tinha razão ao acusar a ex-mulher de difamação EPA/JIM LO SCALZO
Reacção dos apoiantes de Johnny Depp ao veredicto do júri, apresentado às 15h locais desta quarta-feira, na Virgínia EPA/JIM LO SCALZO
Fora do tribunal, dezenas esperavam a decisão do júri. Amber Heard foi condenada a pagar 15 milhões de dólares a Johnny Depp EPA/JIM LO SCALZO
Multidão reúne-se junto ao tribunal de Fairfax, enquanto os advogados de Johnny Depp, Benjamin Chew e Camille Vasquez, falam aos jornalistas sobre o veredicto do júri. Reuters/TOM BRENNER
Advogados de Depp, Benjamin Chew e Camille Vasquez, prestam declarações aos jornalistas após decisão do tribunal. Reuters/TOM BRENNER
Advogados de Johnny Depp também celebraram.,Advogados de Johnny Depp também celebraram. Reuters/EVELYN HOCKSTEIN
Fãs de Depp e Heard esperaram pelo veredicto junto ao tribunal de Fairfax. EPA/JIM LO SCALZO
Fora do tribunal, os fãs apoiaram Johnny Depp durante 24 dias de audiências Reuters/EVELYN HOCKSTEIN
Amber Heard também reuniu apoiantes fora do tribunal durante estas semanas. Reuters/EVELYN HOCKSTEIN
Apoiante da actriz, a usar uma camisola que faz referência ao movimento contra o assédio e agressão sexual MeToo, entrega flores a Amber Heard. EPA/MICHAEL REYNOLDS
Em apoio a Johnny Depp, uma carrinha "Piratas das Caraíbas" ficou estacionada em frente ao tribunal de Fairfax, na Virgínia, durante o último dia de deliberações do júri Reuters/JONATHAN ERNST
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Johnny Depp saiu vencedor de uma batalha judicial milionária. O veredicto foi recebido com satisfação no exterior do tribunal e cânticos “Johnny, Johnny, Johnny” entoados por fãs do actor.

Carolina Amado

Johnny Depp, que não marcou presença no tribunal, reagiu em comunicado: “O júri devolveu-me a minha vida. Sinto-me verdadeiramente humilde.”

“Há seis anos, a minha vida, a vida dos meus filhos, a vida das pessoas mais próximas de mim, e também as vidas das pessoas que durante muitos, muitos anos me apoiaram e acreditaram em mim foram mudadas para sempre”, disse. “Tudo num piscar de olhos”. Mas, conclui, “a verdade nunca morre”.

Já Amber Heard, também em comunicado, disse: “O desapontamento que sinto hoje está para lá das palavras”.

“Estou de coração partido, a montanha de provas não foi suficiente para enfrentar o poder, a influência e o domínio desproporcionais do meu ex-marido.” E a actriz continua: “Estou ainda mais desapontada com o que este veredicto significa para outras mulheres. É um revés. Atrasa o relógio para um tempo em que uma mulher que se manifestasse em público podia ser humilhada e envergonhada publicamente. É um recuo na ideia de que a violência contra mulheres é algo para ser levado a sério.”

O que está em causa no caso que opôs Johnny Depp a Amber Heard?

Johnny ​Depp, de 58 anos, acusou Amber Heard, de 35, de difamação quando a actriz assinou um artigo para o The Washington Post, em Dezembro de 2018, no qual relatou ser uma sobrevivente de abusos domésticos. Pouco tempo depois, o actor interpôs uma acção no valor de 50 milhões de dólares (46,5 milhões de euros), com base no valor que terá deixado de facturar com o sexto episódio da saga Piratas das Caraíbas, que ficou na gaveta, e com a sua saída da franquia Monstros Fantásticos.

Depp negou ter batido em Heard ou em qualquer mulher e disse que foi ela quem se tornou violenta na sua relação. A equipa de Depp retratou uma Amber Heard vingativa e violenta, argumentando que a actriz destruiu propositadamente a sua carreira ao acusá-lo de abusos, depois de o actor ter pedido o divórcio, em Maio de 2016, após pouco mais de um ano de casamento, o que, considerou, enfureceu Heard. “Ela não queria apenas o divórcio. Ela queria arruiná-lo”, disse Camille Vasquez, advogada de Depp, durante os argumentos finais.

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Johnny Depp em tribunal, durante o julgamento Reuters

Durante seis semanas, os advogados de Heard argumentaram que a actriz tinha dito a verdade e que os seus comentários estavam protegidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão. Mas a equipa de Depp tratou de demonstrar que a actriz teve comportamentos abusivos e que tinha mentido, como no que se refere aos sete milhões de dólares que a Mera de Aquaman disse ter doado a duas instituições, o que não fez, minando a sua credibilidade.

Da parte de Amber Heard, defendeu-se a tese de que Depp tinha sido abusivo ao longo de toda a relação, física e sexualmente, com a actriz a relatar um episódio em que disse que o ex-marido a violou com uma garrafa.

No texto que levou o ex-casal a uma batalha judicial milionária durante 45 dias, 24 dos quais passados na sala de audiências, Amber Heard não identifica o seu agressor, mas não negou que de facto falava sobre o ex-marido, afirmando que, por um lado, apenas escreveu a verdade e que, por outro, a sua opinião está protegida como livre expressão ao abrigo da Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Ou seja, respondeu com uma contra-acusação, pedindo a Depp uma indemnização de 100 milhões de dólares (93 milhões de euros).

Depp e Heard conheceram-se em 2011 enquanto filmavam O Diário a Rum e casaram-se em Fevereiro de 2015. Dois anos depois, estavam divorciados.

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