Já é tempo de tratar bem o Arinto

Os consumidores ainda não reconhecem o carácter multifacetado da casta Arinto, mas os enólogos não têm dúvidas. Se tivessem que eleger a melhor das castas brancas portuguesas, ela seria o Arinto (sem ofensa ao Alvarinho ou ao Encruzado).

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Vinhas da Quinta das Murgas Rui Gaudêncio

Portugal estuda pouco os hábitos alimentares dos seus cidadãos. Tudo é concluído a olhómetro. E assim se faz a festa. Por exemplo, alguém consegue dizer qual é a casta branca preferida dos portugueses? Em rigor, não, mas, no tal sistema empírico, diríamos que é a casta Alvarinho (em particular quando vem de Moção e Melgaço). Agora, quando falamos com enólogos, o caso muda de figura. Não é que recusem o Alvarinho (longe disso), mas admitem que a nobre casta branca portuguesa é o Arinto. Arinto de Bucelas ou Arinto de qualquer parte do país, da vasta região de Lisboa à região dos Vinhos Verdes (Padernã), ao Douro, ao Tejo ou ao Alentejo. Portugal tem um portefólio rico de castas brancas, mas a variedade Arinto, que viaja muito bem no nosso território, ou é a coluna vertebral ou é o tempero imprescindível da maioria dos vinhos brancos portugueses. E porquê? Porque fornece a acidez natural que é indispensável à vida e a longevidade dos vinhos brancos. Mais do que os seus aromas cítricos e minerais, a casta é o seguro de vida de qualquer vinho. Bebemos alguns Arintos com 15 ou 20 anos e apetece-nos atirar esses vinhos à boca daqueles que acham que só a Borgonha é o único paraíso vitícola na Terra.

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