Região separatista moldava da Transnístria pede reconhecimento “pacífico” da sua independência

Depois de um militar russo ter admitido que queria ter acesso à Transnístria para alargar a invasão para a Moldova, o Presidente desta região moldava ,autónoma e pró-russa, vem agora pedir o reconhecimento da sua independência

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Imagem de arquivo de soldados ucranianos na fronteira com a Transnístria Yevgeny Volokin/REUTERS

O Presidente da Transnístria, Vadim Krasnoselski, exigiu esta sexta-feira o “reconhecimento pacífico” e “na mesa de negociações” da independência da região separatista moldava, no meio das tensões relativas à ofensiva militar russa na Ucrânia.

“Quantas vezes me perguntei se seria preferível o reconhecimento através da guerra e do derramamento de sangue ou através de uma via pacífica sem ser reconhecido pela comunidade internacional?”, perguntou retoricamente Krasnoselski, citado pela Europa Press, antes de enfatizar que “a resposta é óbvia”.

A Transnístria deve ser e será reconhecida, mas pacificamente, na mesa de negociações, por meio do diálogo. O processo deve ser exclusivamente democrático, sem hostilidades ou perdas”, explicou o Presidente numa mensagem divulgada através do Telegram.

Assim, sublinhou que “ninguém quer uma guerra” e acrescentou que “não há necessidade de atiçar as chamas com provocações”. “A população da Transnístria sabe o que é a guerra e aprecia a paz. Não há necessidade de procurar ou criar, artificialmente, eventos perigosos através dos media”, acrescentou.

“Ninguém está a falar de se fazer silêncio, mas não há necessidade de semear o pânico entre os cidadãos”, sublinhou, antes de destacar que as autoridades estão a trabalhar para “desenvolver a economia” e melhorar a qualidade de vida da população.

Por outro lado, indicou que “depois dos atentados terroristas” das últimas semanas, “o mundo parece ter-se lembrado da existência da Transnístria”. “Os telefones não param de tocar. Todo o jornalismo internacional acordou com estas explosões”, disse.

“Por que foram os media surdos ao destino da república por três décadas? Por que é que as nossas actividades, conquistas e dificuldades foram ignoradas ou apenas brevemente mencionadas”, questionou-se. “Por que nos ignoraram quando batemos em todas as portas quando pedimos ajuda?”, criticou.

As palavras de Krasnoselski surgiram um dia depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Transnístria, Vitali Ignatiev, ter pedido à Ucrânia e à Moldova que adoptassem “decisões equilibradas” para evitar que as tensões aumentassem ainda mais.

A região da Transnístria, cuja população é maioritariamente pró-russa, ganhou destaque nas últimas semanas devido à ligação ao governo russo e à sua importante posição geoestratégica para este conflito. Um comandante militar chegou a dizer que a Rússia tinha como objectivo criar uma continuidade territorial à região através da Ucrânia. As autoridades ucranianas vieram denunciar possíveis incursões russas no oeste da Ucrânia a partir da Transnístria.

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