Nem mais um cravo na Casa da Música

Abril já não existe na Casa da Música. No 1.º de Maio, tal como no comércio de retalho, o Dia do Trabalhador não conta. A “Casa de Todas as Músicas” é também uma miragem e o serviço público esvaiu-se.

Em Abril, a Casa da Música, no Porto, apresentou um trio de concertos chamado Música & Revolução. Longe vai a primeira edição desta iniciativa, em 2007 – longe no tempo, e ainda mais nas ideias. Era então um festival celebrativo do 25 de Abril e do 1.º de Maio, que incluía a arte de figuras centrais da música de intervenção (José Afonso como homenageado, José Mário Branco como artista convidado naquele ano…) e fazia questão de ser um reflexo do lema daquela instituição: “a Casa de Todas as Músicas”. Por isso, integrava em força as músicas populares, nalguns casos com concertos encomendados especialmente para o efeito. Foi assim que Pedro Burmester o idealizou, num outro tempo. Vai distante a última vez que um destes concertos coincidiu com o dia 25 de Abril, enquanto se vai fugindo à evocação de revoluções democráticas, não se acolhe as músicas populares e se mantém os cravos ausentes da decoração e dos espíritos. Nem um para amostra.

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