Um piquenique no fim da História

Se toda a ficção tem um código secreto, será o código que mostra que as coisas não precisam de ser como são. A melhor ficção também procura imaginar o que estamos dispostos a aprender para que elas mudem.

Há um momento nas páginas iniciais do romance dos irmãos Strugatsky Picnic na obochine (Roadside Picnic na tradução inglesa, ou Piquenique na Berma da Estrada) no qual “saber as horas” deixa de ser uma habilidade relevante. O protagonista, Redrick Schuhart, acabou de regressar de uma expedição à Zona. A narração informa-nos que o regresso aconteceu “pouco depois” da partida; para o leitor, foi tudo tão fugaz como uma mudança de parágrafo. Mas quando Redrick consulta o relógio, apercebe-se com espanto que passaram mais de cinco horas: “Cinco horas! Senti um arrepio. Pois é, meus amigos, o tempo não existe dentro da Zona.”

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