Mariano Deidda dá voz ao Fausto de Pessoa para que a vida vença o inferno

Assim como Fernando Pessoa começou a dar atenção ao mito de Fausto cedo, fascinado pela obra de Goethe, também o cantor e compositor italiano Mariano Deidda levou anos a fazer desta obra de Pessoa um disco. Faust, obra de fôlego, estreia-se esta sexta nas lojas e nas plataformas digitais, num mundo em plena turbulência.

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Rita Carmo

Trinta anos depois de editar o seu primeiro disco, Mariano Deidda assina aquele que poderá ser o seu último. Não por qualquer tragédia iminente, mas por vontade própria. E é significativo que esse disco, agora lançado com chancela da Valentim de Carvalho, se baseie no Fausto de Fernando Pessoa e surja num momento histórico tão atribulado como o actual. Gravado em Portugal, com o Coro do Teatro de São Carlos dirigido por Pedro Santos, com a participação vocal de Camané numa das canções e um grupo de músicos ligados ao jazz (Nino La Piana, piano; Laurent Filipe, trompete; Daniela Brito, violoncelo; Massimo Cavalli, contrabaixo; Jorge Moniz, bateria), Faust — e não Fausto, mantendo no título a grafia italiana — mistura a densidade da música coral sinfónica com a expressividade do jazz e da música popular. O que, sendo já “marca” dos trabalhos de Deidda, nunca atingira semelhante padrão.

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