“Telefonema molecular” ajuda o bebé a pedir à placenta para crescer

O feto cria uma rede de vasos sanguíneos na placenta que, no fim da gravidez, daria para ir de Lisboa ao Porto. Extraordinário. Há novas revelações sobre a expansão desta rede vascular, que remete para um conflito genético entre o pai e a mãe e como dessa disputa, quando tudo corre bem, emerge a harmonia e cooperação.

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Imagens de um feto real de ratinho, coloridas artificialmente Ionel Sandovici
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Imagens de um feto real de ratinho, coloridas artificialmente Ionel Sandovici

A equipa de Miguel Constância inspirou-se assumidamente nas cores fortes do Díptico de Marilyn (1962), de Andy Warhol, para comunicar o que tinha descoberto sobre a relação entre o bebé e a mãe durante a gravidez. Em vez do rosto repetido de Marilyn Monroe em cores garridas e a preto e branco, a equipa do cientista português reproduziu imagens multicoloridas de um feto e uma placenta, acompanhados pelo auscultador de um telefone (dos antigos) e o sinal de toque. A ideia é que salte à vista o essencial da descoberta: o feto envia um sinal molecular – leia-se uma proteína – para a placenta, para controlar o fornecimento de nutrientes que lhe chegam deste órgão temporário de ligação entre a mãe e o bebé. Mais: esse sinal molecular envolve, a um nível profundo, uma “guerra de sexos” entre genes da mãe e genes do pai.

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