Susan Sontag, W. G. Sebald: a grande ilusão da intimidade

As biografias de Pessoa e de Susan Sontag, o ou vislumbre das vidas que poderão dizer-nos qualquer coisa sobre o mistério da criação. São acontecimentos de 2022 aqui vistos à sombra da narrativa de outra vida: a de Sebald.

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Há uma imagem que prevalece, depois de lida a primeira biografia do escritor W. G. Sebald que acaba de sair no mundo anglo-saxónico assinada por Caroline Angiers, a britânica que já escreveu sobre as vidas de Primo Levi e Jean Rhys. Ela conta que o avô de Sebald, um homem muito amado pelo autor de Austerlitz, costumava dizer-lhe, em criança, que um dia havia de chegar um camião carregado com os buracos de queijo Emmental que a família usava para fazer noodles. A vida e a obra de Sebald parecem ter-se desenvolvido na expectativa de preenchimento desse vazio, um vazio que foi ganhando dimensão estética com o autor a tentar encontrar substância criativa nos buracos de que a sua existência foi sendo feita. A começar pelo silêncio construído à volta do papel que o pai teve no exército de Hitler.

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