A grande sobrestimação da abstenção em Portugal

Considerando os dados provisórios dos Censos 2021, o recenseamento eleitoral contém pelo menos um milhão de eleitores-fantasma.

Em 1976, nas primeiras eleições legislativas do regime democrático votaram 84% dos portugueses. Esta participação eleitoral extraordinária, reflexo do entusiasmo com o regime democrático, da novidade do sufrágio universal e da liberdade de escolha oferecida pelo boletim de voto, nunca se voltou a repetir. Em 2019, nas últimas eleições legislativas, votaram apenas 48,6% dos portugueses. Com esta percentagem, Portugal é um dos países da Europa ocidental onde segundo os dados oficiais a participação eleitoral mais tem diminuído. De facto, sobretudo a partir dos anos 90, foi-se detetando um aumento progressivo da abstenção em Portugal. Esta falta de participação nas eleições ocorre em todos os tipos de eleição, sejam presidenciais, autárquicas, europeias ou legislativas. São fatores políticos, como a desconfiança em relação aos partidos, fatores económicos, mas também a falta de interesse e envolvimento político da sociedade que podem explicar esta tendência.

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