Temporada dois de Squid Game “vai acontecer”, diz autor, mas “ainda não está confirmada”, refreia a Netflix

É a série mais vista de sempre da plataforma e o entusiasmo é tal que o autor Hwang Dong-hyuk sente: “Não nos deixam outra escolha”. Uma noite de festa em Los Angeles agitou novamente os fãs em torno de mais episódios.

streaming,cultura,netflix,televisao,culturaipsilon,coreia-sul,
Fotogaleria
A festa de segunda-feira em Los Angeles MARIO ANZUONI/Reuters
streaming,cultura,netflix,televisao,culturaipsilon,coreia-sul,
Fotogaleria
Lee Jung-jae, Jung Hoyeon, Hwang Dong-hyuk e Park Hae Soo MARIO ANZUONI/Reuters
streaming,cultura,netflix,televisao,culturaipsilon,coreia-sul,
Fotogaleria
MARIO ANZUONI/Reuters
streaming,cultura,netflix,televisao,culturaipsilon,coreia-sul,
Fotogaleria
Jung Hoyeon, modelo tornada actriz, é um dos rostos mais populares da série MARIO ANZUONI/Reuters

Depois de dois meses de puro sucesso digital, Squid Game teve direito a uma festa oficial em Los Angeles na segunda-feira à noite, uma espécie de corolário para a estreia mais bem sucedida de sempre da Netflix e para aquela que se tornou a sua série mais popular sempre. A noite, porém, foi tomada de assalto pelas questões sobre se haverá mais episódios da série sul-coreana e o seu autor Hwang Dong-hyuk confirmou que tal “vai acontecer, um dia”. Mas a Netflix apressou-se a refrear os ânimos e, burocrática, disse apenas que a segunda temporada “está em negociações, mas ainda não está confirmada”.

Squid Game quase dispensa apresentações desde a sua estreia silenciosa em Setembro. Trata-se de uma série original sul-coreana criada por Hwang Dong-hyuk e protagonizada por Lee Jung-jae, Park Hae-soo ou Jung Ho-yeon que conta a história de um violento jogo de vida ou morte em que centenas de pessoas com problemas financeiros lutam por um prémio em dinheiro que cresce à medida que os outros concorrentes morrem. Feroz crítica social embalada em iconografia de fácil reprodução (vide máscaras de Halloween) e identificação, tornou-se um vício mundial e um raro título a atravessar fronteiras e a agregar públicos. A ideia original surgiu dos problemas financeiros da família do autor após a crise de 2009.

Os números mais recentes indicam que Squid Game (o título vem de um jogo infantil das ruas sul-coreanas, sendo que são jogos desse tipo os desafios surpresa para os concorrentes na série) foi vista por pelo menos 142 milhões de contas em todo o mundo nos primeiros 28 dias na plataforma, mas a Netflix não revela mais dados. Porém, a Bloomberg obteve (através de uma rara fuga de informação interna do serviço de streaming) documentos que revelam que a série vale cerca de 900 milhões de dólares para a plataforma, contas feitas ao seu orçamento (21,4 milhões) e usada a métrica da Netflix de “valor de impacto” de um dado título, estimado em 891.1 milhões. É por isso muito provável que o resultado das negociações em curso de que falou um porta-voz da Netflix à CNBC seja o de avançar com uma segunda temporada do fenómeno. Outros, como Stranger Things ou La Casa de Papel, foram renovados para várias temporadas desde as suas estreias pouco promovidas e a sua elevada penetração nas audiências.

De volta à noite de segunda-feira em Los Angeles, Hwang Dong-hyuk disse à Associated Press (AP) que o fenómeno em que se tornou Squid Game é uma pressão real para continuar a história. “Quase sinto que não nos deixam outra escolha”, disse. “Tem havido tanta pressão, tanta procura e tanto amor por uma segunda temporada.”

Já à revista Hollywood Reporter, o autor detalhou: “Tenho uma história base para a segunda temporada - está tudo na minha cabeça — e estou actualmente na fase de brainstorming. Vai acontecer, um dia, mas quando ainda não posso detalhar”. A agência AP indica que de facto o autor explicou ser “muito cedo para dizer quando e como é que vai acontecer. Prometo-vos isto, Gi-hun [a personagem principal, interpretado por Lee Jung-jae] vai voltar e ele vai fazer algo pelo mundo”.

A Hollywood Reporter detalha que no fim-de-semana passado, o presidente da Netflix Ted Sarandos recebeu o elenco e a equipa para jantar. A série faz parte da vasta aposta da Netflix em produção sul-coreana, mas também da sua estratégia em curso de continuação de liderança no mercado das assinaturas de streaming com conteúdos em língua não-inglesa que fomentem os mercados locais. Portugal é um dos mais recentes exemplos dessa tendência, com a primeira série original portuguesa para a Netflix, Glória, a estrear-se na sexta-feira e a manter-se desde sábado no primeiro lugar dos mais vistos no país. A Netflix é parca na libertação de dados e não revelou ainda quaisquer números sobre a estreia de Glória.