Açores: PSD segura Ponta Delgada

Rui Rio esteve nos Açores na recta final da campanha e deu o seu apoio ao candidato do PSD à mais populosa autarquia dos Açores.

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Rui Rio acompanhado pelo candidato à Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral LUSA/EDUARDO COSTA

Tinha tudo para dar certo para o PSD. E deu. Em Ponta Delgada, um tradicional bastião social-democrata nos Açores, venceu, sem surpresa, Pedro Nascimento Cabral, o candidato apoiado pelo PSD.

O novo presidente do concelho mais populoso dos Açores deixou o socialista André Viveiros a seis pontos. Numas eleições em que o CDS, parceiro do PSD no governo regional, não apresentou candidato, o Bloco foi o terceiro partido mais votado, mas sem eleger.

Em doze ciclos autárquicos, apenas por uma vez o PSD não governou a capital de São Miguel. Foi entre 1989 e 1993, que uma coligação PS/CDS conseguiu retirar a câmara municipal aos social-democratas. Quatro anos, (ainda) sem exemplo, que curiosamente aconteceram antes do domínio socialista no arquipélago, consubstanciado em mais de duas décadas (1996-2020) de governo PS. Primeiro com Carlos César, e depois com Vasco Cordeiro.

Foi precisamente para derrotar Cordeiro, que José Manuel Bolieiro deixou a autarquia da Ponta Delgada, em Março do ano passado, depois de no ano anterior ter sido eleito líder do PSD açoriano. Em 2017, segurou a câmara municipal, que presidia desde 2012, com 51,28% dos votos, para sair três anos depois para liderar o PSD-Açores. Os social-democratas conquistaram cinco mandatos, contra quatro do candidato do PS, Vítor Fraga (39,11%), que deixou o governo regional, onde era secretário regional dos Transportes e Obras Públicas, para tentar ganhar a autarquia.

Este ano, os socialistas foram mais modestos na escolha do candidato. André Viveiros, apesar de experiência de 16 anos como presidente da Junta de Freguesia das Capelas, também em Ponta Delgada, não é uma figura muito conhecida da política açoriana.

Nascimento Cabral, por outro lado, tem um percurso com maior visibilidade. Advogado conhecido na cidade, foi candidato à liderança do partido em 2017, perdendo para Alexandre Gaudêncio, o antecessor de Bolieiro, e é, ainda, o líder parlamentar do PSD na assembleia açoriana.

Nestas eleições, existiam duas grandes dúvidas. A primeira, saber se o governo de Bolieiro, eleito em Outubro do ano passado, poderia ser de alguma forma penalizado pelo eleitorado. Não foi. O PSD conseguiu segurar os municípios que tinha, e ainda aumentar a influência por via de coligações com o CDS e com o PPM, embora o OS tenha sido o partido mais votado. A segunda, olhar para a evolução do Chega, que elegeu dois deputados nas regionais do ano passado, que ajudaram a viabilizar no parlamento açoriano, o governo de coligação PSD/CDS/PPM. No final da noite, o Chega ficou muito aquém desse resultado.