Nas ficções de Pedro Neves Marques, os corpos são emoções que nos interrogam

Na exposição Corpos Medievais, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa, Pedro Neves Marques dá a ver uma obra que interroga os processos da normatividade, para sublinhar o desvanecimento de certas distinções e a fluidez do género e dos corpos com a emoção das ficções.

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Bruno Lopes

Uma atmosfera feita de filmes, sons e imagens, corpos e personagens que é, estranhamente, familiar. Nela, o visitante pode ler poemas num ecrã de um telemóvel, ver uma mulher num ginecologista, contemplar a pele de corpos, observar carne feita em laboratório dentro de um plástico. Todos estes momentos, assim descritos, fazem parte das ficções que Pedro Neves Marques apresenta em Corpos Medievais, com a curadoria de Luís Silva, no Torreão Nascente da Cordearia Nacional, em Lisboa. Ao todo, são cinco trabalhos que permitem aos visitantes conhecer uma obra na qual se cruzam problemáticas, realidades e narrativas. Por meio da autoficção, da ficção científica e de uma pesquisa em que a teoria e a poesia se mutuam de um modo indiscernível, Pedro Neves Marques embrenha-se pelos meandros de um futuro que já entrou no presente. Mesmo aquele espectador menos avisado, reconhecê-lo-á. As imagens falam-nos do artificial e do natural, da reprodução e da sexualidade, da tecnologia e da ciência, da fluidez e da normatização do género e do desejo.

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