Livros congelados, 20km de prateleiras e outras histórias da Biblioteca do Porto

Souto de Moura está a ultimar projecto de reabilitação e expansão da biblioteca pública. Pretexto para uma visita pelo lado invisível de uma casa com quase 200 anos onde o espaço já não chega para o património. Como se olha o futuro num lugar cheio de passado?

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Para José Moreira Dias não foi amor à primeira vista. Gozava uma licença sem vencimento há já 14 anos quando foi bater à porta dos recursos humanos da Câmara do Porto: a empresa têxtil da mulher fechara portas e ele, noutros anos condutor de camiões do lixo madrugadas dentro, queria regressar ao trabalho na autarquia. “Deram-me várias opções: o batalhão de bombeiros, o canil, o cemitério, a loja do munícipe, a biblioteca.” José Dias não é “passarinho de gaiola” e a ideia da labuta entre quatro paredes desagradava-lhe. Mas os conselhos da mulher e a simpatia pelos livros ditaram a escolha: “Vim à entrevista e senti-me cativado”, recorda enquanto agrupa edições do Diário de Notícias de 2003 para seguirem para encadernação na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP). “Já estou adaptado. O que é preciso é trabalho que nada cai do céu a não ser chuva.”

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