Na margem do Mondego, faixa entre o Rebolim e a Portela vai ser renaturalizada

Intervenção em área que câmara de Coimbra terraplenou em Março marca mudança na abordagem às margens do rio.

Foto
A terraplanagem do terreno no início deste ano gerou vários protestos DR

A Câmara Municipal de Coimbra (CMC) vai renaturalizar a faixa de terreno na margem direita do rio Mondego, entre a praia do Rebolim e a ponte da Portela, que terraplenou em Março. A autarquia vai criar um espaço verde “composto por vegetação autóctone”, que possa também “promover a estabilização das margens e do canal”, lê-se na informação que foi disponibilizada aos jornalistas, na reunião de executivo da CMC desta segunda-feira.

O espaço não terá infra-estruturas de recreio, apenas “algum mobiliário urbano” e “será destinado a passeio pedonal e ciclável”. “A autarquia pretende que esta nova zona verde seja um exemplo de gestão de valores ambientais: deverá ser criada através de soluções de base natural para a estabilização das margens e dos processos hídricos associados”, refere a autarquia. As diferentes fases de execução do projecto serão acompanhadas por “acções de participação para o público em geral”.

Quando terraplenou a área entre o Rebolim a Portela, várias foram as manifestações de desagrado. Os protestos surgiram tanto pela mancha verde que desapareceu como pela possibilidade de ali vir a ser instalado um campo de golfe. A manutenção de um espaço do género poderia pôr em causa a captação de águas do rio na estação da Boavista, imediatamente a jusante, que serve para abastecer a cidade de Coimbra. A Federação Portuguesa de Golfe confirmou contactos com a autarquia, mas não fez qualquer referência à localização e sublinhou que as reuniões foram “meramente exploratórias”. 

A renaturalização marca uma alteração na abordagem às intervenções na margem do rio Mondego, que está emparedado em grande parte da extensão que atravessa a cidade. Mesmo o Parque Verde, desenhado no âmbito do programa Pólis, na viragem do milénio, tem áreas construídas na margem e um jardim desenhado.

Dois vereadores, da CDU e do movimento Somos Coimbra, lembraram que, depois de um primeiro momento em que houve uma intervenção da autarquia que “não foi muito feliz”, com “decapagem do solo”, há um propósito de “corrigir esta situação”, referiu o comunista Francisco Queirós. A vereadora Ana Bastos, eleita pela Somos Coimbra, numa intervenção prévia, tinha referido que, tendo decorrido “fora de época” a plantação de árvores que a CMC promoveu em Abril, a seguir à limpeza do terreno, não teve sucesso. “foi possível constatar que mais de 80% das árvores já morreram”, notou.

A proposta de programa preliminar para aquela área do rio acabou por ser aprovada por unanimidade.