Fernando Henrique Cardoso declara apoio a João Doria nas presidenciais brasileiras

O antigo Presidente brasileiro endossou a candidatura do governador de São Paulo durante a cerimónia de reinauguração do Museu da Língua Portuguesa. O partido de FHC e Doria, o PSDB, apresenta-se como uma terceira via às eleições de 2022.

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João Doria com Marcelo Rebelo de Sousa na reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo CARLA CARNIEL/Reuters

O ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (FHC) declarou publicamente este sábado que vai apoiar o governador de São Paulo e seu colega no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), João Doria, nas eleições presidenciais de 2022.

“Ele é candidato à Presidência e tem o meu voto”, disse FHC, que é o presidente de honra do PSDB, apontando para Doria, durante a cerimónia de reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O governador riu e aplaudiu, agradecendo o endosso do político que foi Presidente do Brasil entre 1995 e 2003.

O apoio a João Dória surge depois do mal-estar que causou no seio do PSDB o almoço que FHC teve em Maio com Lula da Silva, que este último disse ter servido para discutir a democracia brasileira e a incompetência que o Governo de Bolsonaro mostrou na gestão da pandemia de covid-19. Os dirigentes tucanos, como são conhecidos os membros do PSDB, não se coibiram de criticar o encontro, que viram como uma sabotagem às intenções do partido em apresentar-se como uma terceira via, uma alternativa a Jair Bolsonaro e a Lula.

Na altura, FHC - que reuniu com Doria logo no dia seguinte ao encontro com Lula - fez questão de reafirmar a sua posição no que diz respeito às presidenciais de 2022. “O PSDB deve lançar um candidato e eu o apoiarei. Se não o levarmos à segunda volta, neste caso não apoiarei o actual mandante, mas quem a ele se oponha, mesmo o Lula”, escreveu FHC numa mensagem no Twitter.

O apoio declarado de FHC pode servir para dar um impulso a João Doria, cujo caminho para o boletim de voto passa ainda pelas primárias do PSDB, em que vai enfrentar Eduardo Leite, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio. O governador de São Paulo já se encontra em pré-campanha, e não se tem coibido de criticar tanto o actual Presidente como Lula da Silva, classificando-os como “negacionista” e “corrupto”, respectivamente.

Já o próprio Doria tem sido apresentado como “vacinador”, uma referência à campanha de vacinação promovida pelo Governo de São Paulo, e também como “a cara limpa da paz e do consenso”.

A tarefa de Doria, caso vença as primárias, não será fácil, dada a bipolaridade do eleitorado brasileiro - ou Bolsonaro ou Lula. Há vários meses que as sondagens mostram um extenso pelotão em que ninguém supera os 10% de intenções de voto, incluindo, para além de Doria, nomes como o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, o ex-governador do Ceará e ex-ministro, Ciro Gomes, e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.