Dono da Zara passa a ser o segundo maior accionista da REN

Petrolífera de Omã vendeu 12% da REN à holding pessoal da família de Amancio Ortega, que passou a ser o segundo maior accionista a seguir à chinesa State Grid. Pontegadea opta por não estar no conselho de administração presidido por Rodrigo Costa.

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Amancio Ortega também investiu na Red Eléctrica, empresa espanhola que também é accionista da REN, com 5% Reuters/MIGUEL VIDAL

O dono da cadeia de vestuário e artigos para o lar Zara, o espanhol Amancio Ortega, comprou 12% do capital da REN à Oman Oil, tornando-se no segundo maior accionista da empresa que gere o sistema energético português e as redes de transporte de electricidade e gás natural.

Em Maio, a petrolífera estatal do sultanato de Omã anunciou a intenção de vender as suas acções na REN, que tinha comprado em 2012 no processo de privatização, liderado pela State Grid, que ficou com 25% da companhia.

Tendo em conta os actuais preços de mercado da REN (2,35 euros por título, ao fecho desta sexta-feira), a posição de Ortega vale cerca de 188 milhões de euros. Em 2012, a Oman Oil pagou 2,56 euros por acção.

A operação anunciada esta sexta-feira foi realizada através da holding familiar de Ortega, a Pontegadea, que é dona de 59% da Inditex (que além da Zara, tem outras cadeias como a Pull and Bear e a Bershka), uma das maiores empresas da bolsa espanhola.

A holding de Amancio Ortega já havia anunciado na quinta-feira um investimento de mais de 450 milhões de euros na compra de 5% da Red Eléctrica (a congénere espanhola da REN), que, por sua vez, tem outros 5% da empresa portuguesa. O grupo de Amancio Ortega passa a ser o segundo maior accionista da Red Eléctrica a seguir ao Estado espanhol.

Na estrutura accionista da REN figuram ainda como accionistas relevantes a Great-West Lifeco., com 3,7%, a Fidelidade (controlada pela chinesa Fosun), com 5,3%, e a Lazard Asset Management, com 7%.

Segundo informação divulgada pela Pontegadea, esta holding da família Ortega dedica-se principalmente à gestão de activos imobiliários, “com uma carteira avaliada em mais de 14.000 milhões de euros”, e a investimentos financeiros em empresas do sector das infra-estruturas. Ainda na área da energia, a Pontegadea detém 5% da Enagás, operadora da rede de distribuição de gás em Espanha.

Sem assento na administração

“Em Julho de 2021, a Pontegadea chegou a acordo com a Oman Oil para a aquisição de 12% da REN”, explicou a entidade, dizendo que procura, para os seus investimentos, “activos de qualidade, com um retorno previsível, em mercados de topo e destinados ao desenvolvimento da actividade económica por outras empresas”.

No dia 7 de Julho, na sequência do processo de alienação iniciado em Maio, o representante da Oman Oil na administração da REN, Omar Al-Wahaibi, “suspendeu temporariamente funções” no conselho de administração presidido por Rodrigo Costa (que acumula o cargo de presidente da comissão executiva).

Fonte oficial da Pontegadea afirmou ao PÚBLICO que a empresa não tenciona tomar lugar neste órgão: “Decidimos, neste momento, não estar no conselho de administração da REN, em linha com a nossa prática em empresas semelhantes”, afirmou.

Segundo fonte próxima à operação, a Pontegadea é um investidor financeiro e não tem intenção de intervir na gestão da REN, confiando na sua equipa de gestão.

A Pontegadea tem activos imobiliários em Londres, Madrid, Nova Iorque, Chicago, Paris, Lisboa, Seul e Seattle, e um portefólio “composto principalmente por escritórios, superfícies comerciais de topo (retalho) e, em menor medida, hotéis”.

“Portugal foi o primeiro país na expansão internacional tanto da Inditex (1998) como da Pontegadea (2002)”, refere o grupo, em comunicado.

“É um mercado de investimento natural para a Pontegadea devido à proximidade geográfica, ao conhecimento e experiência prévios e à estabilidade, segurança e perspectivas que oferece”, acrescenta a Pontegadea, referindo que tem “uma carteira de activos imobiliários no país avaliada em mais de 250 milhões de euros”.

Segundo a imprensa espanhola, em 2020, ano em que as vendas das empresas do grupo Inditex foram particularmente afectadas pelas medidas de restrição da mobilidade para combate à covid-19, a Pontegadea lucrou 666 milhões de euros, menos 63% face ao período homólogo.