TV sul-coreana usa símbolos para representar países e abre polémica. A Portugal calhou o pastel de nata

Para representar a Ucrânia, a escolha da MBC foi Tchernobil. A estação já pediu desculpas, admitindo que prejudicou “os valores olímpicos de amizade, solidariedade e harmonia”.

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Adriano Miranda
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Se para representar Portugal escolheram o pastel de natal, para a Ucrânia a escolha de Tchernobil não foi tão feliz Twitter/Ross not Rose

A estação de televisão sul-coreana Munwha Broadcasting Corporation (MBC) usou símbolos para representar os países durante uma emissão dos Jogos Olímpicos. Para simbolizar Portugal a escolha foi um pastel de nata, para a Itália a pizza e, na ilustração da Ucrânia, uma imagem de Tchernobil. A escolha foi alvo de duras críticas, que acusaram o canal de perpetuar estereótipos negativos. A MBC pediu desculpas.

O objectivo terá sido ajudar os telespectadores a identificar mais facilmente o país em representação, mas a escolha nem sempre foi a mais feliz. Para ilustrar a Coreia do Sul, a MBC escolheu imagens de edifícios icónicos, estátuas e o grupo de K-Pop BTS. O conde Drácula foi o escolhido para a Roménia e a filmagem da delegação da Mongólia fazia-se acompanhar da imagem do imperador Gengis Khan​ (tão conhecido pelo seu brilhantismo como estratega quanto pelos actos de violência em contexto de guerra). O salmão representou a Noruega e a pizza foi a escolha para Itália. Os italianos não terão ficado felizes com a ilustração, já que a pizza parecia ter como topping bacon, pepperoni e azeitonas, ingredientes que, normalmente, não são usados em Itália, mas sim nos Estados Unidos ou Canadá.

Mas algumas escolhas foram bem mais problemáticas do que a pizza de Itália ou o Drácula da Roménia, como foi o caso da Ucrânia ou do Haiti. O desastre nuclear de 1986, em Tchernobil, foi usado para ilustrar o país do Leste da Europa e, para o país das Caraíbas, foram escolhidas imagens de manifestantes que queimavam uma rua, na sequência do assassinato do Presidente Jovenel Moïse.

“É um erro indesculpável”

Cada fotografia era acompanhada por uma legenda, estatísticas do PIB de cada país e, ainda, a taxa de vacinação contra a covid-19, como se pode ver nas imagens, que se tornaram virais no Twitter, partilhadas pelo jornalista Raphael Rashid. A estação de televisão apressou-se a publicar um pedido de desculpas, na mesma rede social, onde se lê que a atitude foi “uma falta de consideração para com os países em causa” e que a “verificação não foi suficientemente rigorosa”. “É um erro indesculpável.”

O pedido de desculpas foi também publicado no site oficial da estação, já esta segunda-feira, numa nota onde se refere que está sob investigação o processo de escolha das imagens e legendas. A MBC promete, ainda, “reexaminar o sistema de produção de programas desportivos para evitar incidentes semelhantes no futuro”. O CEO do canal, Park Sung-jae, também lamentou a ocorrência, numa conferência de imprensa, admitindo que se “prejudicaram os valores olímpicos de amizade, solidariedade e harmonia”.

Os sul-coreanos também se mostraram chocados com a atitude do canal e apressaram-se, nas redes sociais, a justificar que as imagens eram representativas apenas do ponto de vista da MBC e não do país em geral. “A maioria dos coreanos ficaram chocados quando viram esta emissão”, escreveu um utilizador no Facebook. “É um infortúnio presenciar este horror nos meios de comunicação modernos da Coreia [do Sul]”, lamenta outro utilizador.

Esta não é a primeira vez que a MBC comete um erro semelhante nos Jogos Olímpicos. Em 2008, em Pequim, foi penalizada por usar legendas inapropriadas para os países: as ilhas Caimão foram descritas como “infames por fuga ao fisco”, o Sudão como “instável devido a uma guerra civil prolongada” e o Chade como “o coração morto de África”.