Dez anos sem Amy Winehouse

Foi há dez anos que morreu Amy Winehouse. Um novo documentário, focado nos pais, e um novo livro do melhor amigo da cantora tentam olhar para a pessoa por detrás da música e dos escândalos.

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Reuters/TOBY MELVILLE

De Amy Winehouse, Tony Bennett disse que ela era “uma das cantoras de jazz mais verdadeiras” que alguma vez tinha ouvido, alguém que tinha “o dom completo” e “devia ser tratada como Ella Fitzgerald e Billie Holiday”. Foi com o lendário crooner que Winehouse gravou pela última vez, em dueto, uma versão do standard Body and Soul apenas quatro meses antes de a cantora e compositora britânica vencedora de seis Grammy ter sido encontrada morta em casa em Camden, Londres, aos 27 anos. Essa morte por intoxicação alcoólica, a 23 de Julho de 2011, faz esta sexta-feira dez anos.

Quando morreu, Winehouse tinha apenas dois álbuns propriamente ditos gravados: Frank e Back to Black. Foi um final trágico depois de uma vida marcada por problemas de drogas, álcool, bem como uma constante exposição mediática, com paparazzi a rondarem-na para capturarem quase todos os seus momentos emocionalmente conturbados e a sua adição, bem como as piadas constantes que eram feitas à sua custa e muita pressão para ser bem-sucedida. A forma como a exposição mediática de mulheres as transformou, na década passada, em alvo de chacota generalizada é algo que tem estado, nos últimos tempos, a ser discutido, com o caso de Britney Spears à cabeça.

E foi, na voz cheia de emoção e sofrimento e na sua mistura de jazz, soul e hip-hop, no trabalho com produtores como o americano Salaam Remi ou o britânico-americano Mark Ronson, bem como bandas como os Dap-Kings, e na forma como levou para o mainstream um certo revivalismo soul. Foi com Ronson, por exemplo, e os Dap-Kings, que tinham tocado em Back to Black, que gravou um dos seus êxitos mais duradouros, Valerie, uma versão dos Zutons  editada em Version, disco de Ronson, e que eclipsou totalmente o original.

No mesmo ano em que morreu, Amy Winehouse cancelou um concerto em Portugal. Teria sido o seu segundo concerto no país, após uma desastrosa actuação no Rock in Rio em 2008, com quase uma hora de atraso e uma prestação que deixou muito a desejar.

Para assinalar a efeméride, a BBC tem um novo documentário, Reclaiming Amy, realizado por Marina Parker, que é narrado pela própria mãe da cantora, Janis Winehouse-Collins, que sofre de esclerose múltipla e está a perder a memória e não é alguém que tenha falado muitas vezes sobre a filha em público. A ideia, tem sido dito em entrevistas, é contar a perspectiva dos pais e mostrar outras facetas de Amy Winehouse além dos escândalos, que incluíam abusos de substâncias como heroína, cocaína e álcool, o casamento com Blake Fielder-Civil e a bulimia. Quer mostrar a pessoa normal por detrás da caricatura propagada e criticada pelos média em vida. E, especialmente no caso de Mitch Winehouse, o pai, contrariar a perspectiva de um pai negligente e explorador da filha que sobressai em Amy, o documentário de 2015 de Assim Kapadia que ganhou o Óscar de Melhor Documentário — que é de onde vem a citação de Bennett. Será o segundo documentário da BBC sobre Winehouse: em 2018, Jeremy Marre realizou, para a BBC Four, Amy Winehouse: Back to Black, que versa sobre a gravação do segundo disco de Winehouse.

Há também My Amy, um novo livro de Tyler James, que se assume como o melhor amigo da cantora e a conhecia desde os 13 anos, sendo colega de casa quando esta morreu, que mostra a sua perspectiva sobre a sua defunta amiga.