YouTube retira 15 vídeos de Bolsonaro por conterem informações falsas sobre a covid-19

Nos vídeos em causa, o Presidente brasileiro defende a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar doentes infectados. Próxima violação pode levar a suspensão da conta na plataforma.

Foto
Bolsonaro arrisca suspensão da sua conta de YouTube se voltar a defender a hidroxicloroquina AMANDA PEROBELLI / Reuters

O YouTube retirou 15 vídeos do canal oficial do Presidente brasileiro Jair Bolsonaro da plataforma online por considerar que violam as suas regras de conduta referente à propagação de informações falsas sobre a pandemia da covid-19.

Entre os vídeos estão 14 reproduções de transmissões ao vivo que o Presidente costuma fazer todas as semanas ao lado de ministros, que foram publicadas desde Agosto do ano passado. O único que não está nesta categoria reproduz uma entrevista da médica Nise Yamaguchi em que é defendida a administração de hidroxicloroquina e ivermectina para o tratamento de pacientes com covid-19.

A empresa diz que a decisão de remover os vídeos foi feita na sequência de uma “análise cuidadosa” que concluiu que o seu conteúdo viola as “políticas de informações médicas incorrectas sobre a covid-19” do YouTube. “As nossas regras não permitem conteúdo que afirma que a hidroxicloroquina e/ou a ivermectina são eficazes para tratar ou prevenir a covid-19; garante que há uma cura para a doença; ou assegura que as máscaras não funcionam para evitar a propagação do vírus”, afirma a plataforma numa nota reproduzida pela imprensa brasileira.

Bolsonaro defende a utilização de medicamentos como a hidroxicloroquina – habitualmente usado contra a malária – para tratar pacientes com covid-19, apesar de a generalidade dos estudos científicos mostrarem ser ineficaz. A promoção deste tipo de tratamento é um dos focos da investigação levada a cabo pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que avalia a gestão do combate à pandemia pelo Governo federal brasileiro.

Não é a primeira vez que publicações feitas nas redes sociais por Bolsonaro são retiradas de plataformas como o Facebook, o YouTube ou o Twitter, por conterem informações falsas sobre a pandemia. No entanto, esta é a acção mais dura que uma empresa tecnológica tomou em relação ao Presidente brasileiro.

A conta de Bolsonaro passou a ficar sinalizada pelo YouTube e uma nova violação das regras sobre informações médicas referentes à covid-19 poderá levar à suspensão total da actividade durante uma semana.

Ainda não houve qualquer reacção por parte do Palácio do Planalto à decisão do YouTube. Os vídeos publicados nas redes sociais são um dos instrumentos comunicacionais mais importantes para Bolsonaro chegar aos seus apoiantes, contornando os meios de comunicação tradicionais. No YouTube, as transmissões em directo semanais tornaram-se num ritual desde que chegou à presidência e servem de conduta para revelações importantes, mas também para ataques contra críticos do Governo.