Benfica afasta-se de investigação a Luís Filipe Vieira

Comunicado do clube à CMVM diz que clube não é arguido no processo que motivou a detenção do presidente. Benfica diz que funções do dirigente serão asseguradas.

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Reuters/PEDRO NUNES

Em dois comunicados distintos publicados esta quarta-feira, o Sport Lisboa e Benfica afasta-se das investigações a Luís Filipe Vieira que culminaram na detenção do dirigente. No comunicado enviado ao final da tarde à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o clube confirma que o dirigente “encarnado” foi constituído arguido no âmbito do processo que motivou buscas durante o dia e culminou na detenção de quatro pessoas.

“Nem a Benfica SAD nem o Sport Lisboa e Benfica (ou qualquer entidade por si controlada) foram constituídos arguidos no âmbito desta investigação, tendo sido prestada toda a colaboração solicitada pelas autoridades relevantes. As funções desempenhadas pelo presidente do conselho de administração serão, na medida que se mostre necessária, asseguradas nos termos previstos na lei e nos estatutos”, escreve o clube.

O Benfica diz também que as funções de Luís Filipe Vieira serão asseguradas “nos termos previstos na lei e nos estatutos”. A direcção do Benfica está neste momento reunida para definir os próximos passos a serem tomados. Caso o presidente fique em prisão preventiva, terá de ser encontrada uma solução para liderar os destinos do clube.

Mais tarde, no site oficial do clube, o Benfica publicou novo comunicado, desta vez destinado aos sócios e simpatizantes. A direcção “encarnada” garante que estar empenhada em defender “os interesses do clube”, mostrando-se disponível para apoiar o trabalho das autoridades “até às últimas consequências”. 

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o seu filho Tiago Vieira e dois empresários da confiança do dirigente desportivo, José António dos Santos, conhecido como o “Rei dos Frangos”, e Bruno Macedo, encarregado da intermediação do regresso de Jorge Jesus ao clube da Luz, foram detidos esta quarta-feira, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

Estas quatro detenções surgem na sequência das buscas realizadas esta quarta-feira e que visam, além do dirigente desportivo, as instalações do clube dos encarnados, o empresário José António dos Santos e a sede do Novo Banco. Por volta das 17h desta quarta-feira, o Ministério Público publicou na página do DCIAP um comunicado em que confirma a realização de 45 buscas em “instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária”, nas “áreas de Lisboa, Torres Vedras e Braga”.​ E acrescenta: “No decurso das diligências foram detidas quatro pessoas, dois empresários, um agente desportivo e um dirigente desportivo. Detenções efectuadas atendendo aos indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e a prevenir a consumação de actuações suspeitas em curso.​”

O Ministério Público explica que no processo se investigam “negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevado prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades”. Em causa, refere-se, estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente e susceptíveis de integrarem a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento.