Inspectores da PJ estiveram no Museu Colecção Berardo

Polícia Judiciária pediu uma lista das obras de arte que fazem parte da colecção que está arrestada judicialmente desde 2019.

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José Berardo em 2015 junto à pintura Beta Tau (1961), de Morris Louis Nuno Ferreira santos

Três inspectores da Polícia Judiciária (PJ) estiveram na manhã desta terça-feira nas instalações do Museu Colecção Berardo, situado no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no âmbito da operação que culminou com a detenção do empresário Joe Berardo por suspeita de prática de crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Pedro Bernardes, director-geral do Museu Colecção Berardo, adiantou ao PÚBLICO que entre as dezenas de diligências e buscas efectuadas esta terça-feira uma teve lugar nas instalações do Museu Colecção Berardo.

Os inspectores pediram uma lista das obras de arte que fazem parte da colecção, o valor em que estão seguradas e ainda uma lista de fornecedores.

Arresto da colecção

Esta não é a primeira vez que as autoridades judiciais pedem informações ao Museu Berardo, uma vez que em 2019 as obras foram inventariadas na sequência do arresto judicial da colecção, que ficou à guarda do Estado, solicitado pelos três bancos credores do empresário, a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Novo Banco.

A Colecção Berardo, que tem cerca de 1000 obras, está desde 2006 no CCB, devido a um acordo de comodato assinado com o Estado português, que já foi várias vezes renovado. 

A revista Sábado noticiou que a PJ fez também buscas no Ministério da Cultura no Palácio da Ajuda, procurando informações sobre o acordo renovado em 2016 com a Fundação Berardo. O gabinete de Graça Fonseca disse ao PÚBLICO que não comenta as investigações em curso.

A última avaliação da colecção de arte que Joe Berardo depositou no CCB é de 316 milhões de euros e data do ano do primeiro acordo, quando a colecção tinha cerca de 850 obras. Entre os destaques da colecção estão obras de Joan Miró, Balthus, Piet Mondrian, Francis Bacon, David Hockney ou Gerhard Richter, mas também nomes incontornáveis da criação moderna e contemporânea portuguesa como Amadeo Souza-Cardoso, Paula Rego, Helena Almeida ou Pedro Cabrita Reis.