Pequenos crimes entre amigos: o novíssimo cinema argentino

Inventivo e diverso, capaz de rever o passado colonial e ditatorial mas também de observar as minudências de um quotidiano do capitalismo tardio e das suas obsessões familiares. É este o contexto de Sol de Maio: Ciclo de Cinema Argentino, no Trindade, Porto.

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Rojo, de Benjamin Naishtat, revisitação dos anos 1970 na Argentina, período pré-golpe militar

Nos últimos anos, o cinema sul-americano tem-se imposto no circuito dos festivais como uma zona geográfica e cultural muito produtiva. E dentro desta especificidade, o cinema vindo da Argentina tem-se destacado: inventivo e diverso, capaz de rever o passado colonial e ditatorial, mas também observar as minudências de um quotidiano do capitalismo tardio e das suas obsessões familiares. É este o contexto de Sol de Maio: Ciclo de Cinema Argentino, que teria celebrado o quarto aniversário do Cinema Trindade, em Fevereiro, não fosse a pandemia adiá-lo para dias melhores. Regressa agora, de 25 de Maio a 8 de Junho, em boa altura, sucedendo à Revolución de Mayo que ocorreu de 18 a 25 de Maio de 1810 e iniciou o processo de independência da América Latina. O Trindade — liderado por Américo Santos e Cristina Mota — apresenta assim aos cinéfilos do Porto uma programação diferenciada, que tem marcado o dia-a-dia cultural da cidade nos últimos anos.