Gestão da vegetação em debate, em nome da sustentabilidade e da prevenção de incêndios

A E-Redes investiu 16 milhões de euros no ano passado em acções de inspecção e intervenção nos terrenos ao longo dos cerca de 180 mil quilómetros de linhas eléctricas que tem sob gestão. A III Conferência Gestão da Vegetação, que decorre na próxima semana, visa debater as melhores práticas em matéria de gestão de combustível.

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Nelson Garrido

A empresa que sucedeu à EDP Distribuição, por imperativo da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, e que é responsável pela operação da rede nacional de distribuição de alta, média e baixa tensão, organiza na próxima semana, em parceria com o PÚBLICO, a sua terceira conferência dedicada à gestão da vegetação, que acontece em Pampilhosa da Serra, com transmissão online em directo no website do PÚBLICO. 

Na III Conferência Gestão da Vegetação da E-Redes vão estar em discussão as melhores práticas em matéria de gestão de combustível, assim como as oportunidades do novo enquadramento da rede de faixas de gestão de combustível, com vista à sustentabilidade e à preservação do património florestal.

A empresa, a que preside, desde Abril, José Ferrari Careto, opera em todo o território nacional e gere uma rede com perto de 180 mil quilómetros de extensão, cerca de 28 mil dos quais instalados em espaços florestais. Em 2020, a E-Redes constituiu zonas de protecção junto às linhas eléctricas ao longo de 7538 quilómetros, e executou faixas de gestão de combustível, no âmbito da rede secundária, em 7111 quilómetros. Em termos globais, a companhia investiu, no ano passado, cerca de 16 milhões de euros em acções de inspecção e de intervenção no terreno.

A sessão de abertura da III Conferência Gestão da Vegetação, evento que tem lugar a 13 de Maio, conta com a presença do secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino, a que se segue um período com intervenções de vários oradores.

Em análise, estará a forma como as estruturas lineares na paisagem e os mosaicos florestais interagem com os incêndios rurais em Portugal continental e o efeito-barreira e o desempenho potencial das faixas de gestão de combustível no território atravessado pelas redes da E-Redes. Serão apresentados três casos de estudo pela investigadora do Instituto Superior de Agronomia, Ana Cristina Lopes de Sá.

Joni Vieira, que é arquitecto paisagista e técnico da Montis, Associação para a Gestão e Conservação da Natureza, uma organização não-governamental de ambiente de âmbito nacional e que gere mais de 178 hectares de floresta na região Centro, vai intervir sobre as “Alternativas à gestão da vegetação nas faixas da E-Redes”.

Por sua vez, Luís Marcelino Ferreira, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, vai analisar o impacto do enterramento da rede eléctrica em zonas de elevado risco ambiental. Segue-se um painel com especialistas convidados de várias organizações, entre elas o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Montis e o laboratório colaborativo ForestWISE.

É esperada uma audiência composta por elementos dos Gabinetes Técnicos Florestais dos municípios, investigadores, representantes do Governo, da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, da Guarda Nacional Republicana, dos municípios, das universidades, da própria E-Redes e do grupo EDP.

A sessão de encerramento conta com as intervenções de Francisco Castro Rego, ex-presidente do extinto Observatório Técnico Independente dos Incêndios e coordenador do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves do Instituto Superior de Agronomia, e de José Ferrari Careto, presidente do Conselho de Administração da E-Redes.

A empresa do grupo EDP fechou o ano de 2020 com 2936 colaboradores, 1504 fornecedores e 6.302.471 clientes. No ano que findou, distribuiu 44.143 GWh de energia, registou 308 milhões de euros de investimento operacional e obteve 93 milhões de euros de lucros líquidos. É responsável pela operação da rede nacional de distribuição de alta e média tensão, cujo concedente é o Estado, e da rede de distribuição de baixa tensão, através das 278 concessões municipais. 

As infra-estruturas que compõem as redes eléctricas são dotadas de utilidade pública e, como tal, fazem parte das concessões atribuídas à empresa. Ao gerir uma rede área com quase 180 mil quilómetros de extensão, cerca de 28 mil dos quais instalados em espaços florestais, a E-Redes actua em todo o território continental.